COLOQUEMOS AS COISAS em seus devidos termos políticos. Como buscou fazer a edição de 13/04/17 do “Jornal Nacional” da Rede Globo de televisão sobre a “entrevista” de Lula à Rádio Metrópole FM de Salvador na manhã desse dia.

Nada ali houve de espontaneidade ou improviso. A assessoria de Lula agendou, transmitiu pelo Facebook e gravou a pantomima em vídeo. Imediatamente postado no Youtube e por ela repercutida à exaustão nos meios sociais de comunicação.

O “entrevistador” Mário Kertèsz é, desde seu último ano de mandato como prefeito da capital baiana, concessionário que explora um canal de rádio, originalmente do grupo carioca Jornal do Brasil, que faliu nos anos 1990. Adquiriu os direitos de exploração da concessão pública, mudando nome e a natureza da rádio.

Kertèsz enriqueceu no cargo de prefeito nos anos 1980.

Foi denunciado à Justiça pela Procuradoria Geral do Município de Salvador pelo desvio de US$ 200 milhões [clique para ler]. Que pediu, sem êxito, a devolução do dinheiro que teria sido surrupiado pelo réu.

Em 35 minutos, a “entrevista” de Lula foi um palanque. Listado com o codinome “Amigo” – beneficiário pessoal de mais de R$ 40 milhões para si – nas planilhas da corrupção da Odebrecht obtida pelos investigadores da força-tarefa da chamada Operação Lava Jato (Ministério Público, Polícia Federal, Receita Federal e Judiciário), Lula afirma que é o homem público mais puro e inocente do planeta.

Utilizou a rádio do comparsa para atacar o juiz Sergio Moro, atacar o STF, atacar a Odebrecht, atacar a tudo e a todos que não cumplicie com a corrupção do governo dele, Lula do Partido dos Trabalhadores, e dos seus, por 13 anos à frente da Presidência da República em aliança com o PMDB e outros sócios menores.

Lula e Kertèsz compartilham da mesma retórica e do mesmo modus operandi no assalto aos cofres públicos.

À época em que foi denunciado, em janeiro de 1990, pela PGM de Salvador, qual foi o principal argumento de defesa de Kertèsz? Dizer que estava sendo perseguido pelos adversários porque o Ibope registrava seu nome como o mais popular para concorrer às eleições ao governo da Bahia no final daquele ano.

“Roberval”, que desviou para o bolso US$ 200 milhões de dinheiro público em conluio com empreiteiras e bancos; cínico e bem articulado, tem colaboradores inclusive na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia

Em 2012, candidato do PMDB de Michel Temer novamente a prefeito de Salvador, este blog relembrou sua vida pregressa. Reação de Kertèsz: tentar na Justiça retirar este blog da internet. [clique aqui para saber]

Na planilha da empreiteira ele aparece com o codinome “Roberval”, beneficiário em R$ 1 milhão e 750 mil ilícitos para sua campanha à Prefeitura naquele ano.

Lula vem sustentando que a Operação Lava Jato visa impedir sua candidatura à Presidência da República no ano que vem. É um típico caso de psicopatia social, de alienação mental. Lula, de fato, acredita-se um ser superior, imune a investigações, inalcançável pelas regras do Estado Democrático de Direito.

Ele, na verdade, é uma ameaça às instituições republicanas. Veremos isso no dia 3 de maio, quando será obrigado a comparecer a Curitiba para prestar depoimento ao juiz Sergio Moro como réu em uma das cinco ações que responde como tal.

A entrevista a Kertèsz  se contextualiza como parte da estratégia de defesa, na preparação do clima de insubmissão às leis vigentes que o PT e seus acólitos querem instilar à platéia.

Kertèsz é tributário e velho conhecido do esquema da organização criminosa, assim descrita na Ação Penal 470, conhecida como “Mensalão“.

Em 2002 foi contratado pelo marqueteiro do PT Duda Mendonça, amigo de antanho, para participar da equipe da propaganda eleitoral de segundo turno, contra José Serra (PSDB), que perderia a eleição para Lula. Kertèsz e sua rádio tiveram participação remunerada ativa no horário eleitoral lulista.

Marqueteiro João Santana Patinhas, preso e já condenado na Operação Lava Jato; uma de suas “viúvas” caluniou o autor deste blog por post sobre tema que levou à sua prisão, tendo sido acionada em queixa-crime na justiça baiana, depois arquivada

O marqueteiro João Santana Patinhas, substituto de Duda, depois de esse confessar ter recebido milhões irregulares em contas no exterior, na CPI que resultou no “Mensalão”, foi empregado de Kertèsz.  Quando este comprou, ainda prefeito, o Jornal da Bahia. Que mais tarde extinguiria, dando um golpe no mercado, nos trabalhadores e no próprio acervo histórico do jornal. Patinhas foi seu pau mandado, diretor de redação e editor geral.

Kertèsz até o momento se livrou da cadeia diante de todos os malefícios que impôs ao município de Salvador, de acordo com os autos dos processos em que consta como autor dos desvios do dinheiro público para enriquecimento pessoal.

Kertèsz foi beneficiado por um sistema judiciário leniente, até pela caducagem dos processos decorridos os prazos.

Atuações do ministro Joaquim Barbosa, no STF, e de juízes de primeira instância como Sergio Moro são heroicas, na tradição do judiciário brasileiro. São um ponto fora da curva – e é isso o que mais atemoriza corruptos e corruptores, juntos na tarefa de desqualificar a Operação Lava Jato.

  • ESGOTO BAIANO

    “Polo”, de barba, que teria embolsado mais de R$ 25 milhões, e sua cria, Rui Costa (R$ 10 milhões), ex-sindicalistas do Pólo Petroquímico da Bahia, área de influência das empresas Odebrecht

O governador Rui Costa, dois ex-governadores (Jaques Wagner, o “Polo”, e Waldir Pires). A senadora Lídice da Mata, codinome “Feia”, o prefeito ACM Neto (“Anão”). O atual vereador, ex-prefeito biônico e ex-vice-prefeito Edvaldo Brito, o “Candomblé”.

Não somente esses [clique e saiba].

Nas planilhas de receptores do dinheiro de corrupção desviado da Petrobras etc, agora alvos de investigação em várias instâncias policiais e judiciais, há lugar para todo o excremento da política baiana nas planilhas da Odebrecht. Veja.

Infelizmente, por seu grau de comprometimento, a imprensa da Bahia está “tímida”. Sindicalistas, movimentos estudantis, acadêmicos: avestruzes.

 

 

 

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