Recolho-me à minha insignificância, se meu Exu permite

Reconheço: em termos de autonomia intelectual não, mas, do ponto de vista das expectativas políticas saio menor do que quando, ao lado da magnânima Professora Dra. Célia Sacramento, resolvi disputar as eleições para reitor da Universidade Federal da Bahia neste 2026.

Tenho total responsabilidade pelo fracasso de comunicação adequada ao ambiente eleitoral.

Sublinho ter sido todo o processo das diretas na UFBA, desde o início, maculado por artimanhas ademocráticas. Por decisões e medidas favorecedoras de grupos e agentes de mando na instituição, os quais dela se apropriam como cousa deles.

Semestre “atípico”, greve dos servidores técnicos, rejeição de voto eletrônico por cédula de papel, votação presencial em urnas que, à dezena, não chegaram no horário oficialmente determinado.

Por consequência, esvaziamento da participação. Acrescente-se: limitação brutal do período de campanha para a oposição – destituída de fundos financeiros, ao contrário daqueles.

Já sabíamos do direcionamento – tempestivamente denunciado. Tal constatação, portanto, nada vale a posteriori. “Perdi, mané!”, plagio um ex-presidente da Suprema Corte.

Por natureza sou pouco dado a conchavos, igrejinhas, ao adesismo e à preguiça intelectual. Dissidente, mas não tanto assim, em uma sociedade de “politicamente corretos”, homens e mulheres “cordiais”.

À qual ou você adequa-se, tirando as vantagens inerentes, ou vira “persona non grata“. Epíteto a mim atirado certa vez, em conclave inter pares, por um cara que viria dirigir um certo INCTDD/UFBA.

Pode soar arrogante. Dou pouca importância sobre a “imagem” que pessoas fazem de mim. É tanta gente carente de afeto, precisando de um colo, neste mundo de meu Deus!

Nele me incluo. Porém não tenho pretensão de ser amado, aceito ou tolerado por quem apenas vê as coisas em partes, não na inteireza.

Admito:  Isso é erro gravíssimo para quem quer participar de certames como disputas eleitorais.

Escuto e leio a opinião de terceiros, sentindo de alguns o cuidado em querer me ajudar. A intenção é amenizar, maquiar o enunciado.

Pôr uma máscara para tornar-me igual ou aproximado a outrem. Já não seria eu mesmo. Imagine viver como uma carcaça postiça, fingir-se agradável para agradar.

O êxito está em total dependência da imagem que os outros fazem de você, isto é, do construto fabricado a seu respeito. Da imagem que cada concorrente passa de si à sentimentalidade alheia.

É assim que, dissimulando o caráter, ídolos são moldados – muitos em pés de barro. Agradeço. Burro, continuarei burro até a morte.

Em foto de arquivo com Aninha Franco, uma das inspirações intelectuais que vai ao meu enterro

Aprendi ao longo da vida ser impaciente com a hipocrisia. Essa intolerância por vezes faz com que eu carregue no tom discursivo. Crio com isso não apenas adversários, mas verdadeiros inimigos fidagais.

A agressividade, a ironia no uso das palavras, além de resultar em ser carimbado de “polêmico” (seja lá o que isso quer dizer!), traz consequências danosas à imagem que determinado “público” explora sobre a personalidade de quem se expõe ao crivo.

Sempre foi penoso ser sincero no convívio com outros. Distantes, próximos ou íntimos.

Sei quem sou e valorizo a opinião a meu respeito de um pequeniníssimo grupo de pessoas ao redor do mundo. As respeito, por amigas. Pessoas que têm o que ensinar. Assim como centenas de livros de minha predileção, geralmente clássicos, poesia.

Condenado, não pratico religiões nem crenças. Lido com frustrações sem tomar remédios. Nunca fiz psicoterapia. Não é empáfia, é falta de discernimento. Seguro o leão à unha na selva que é viver entre homens, meus irmãos na Terra.

A práxis-imagem, para mim, são inseparáveis. O problema é adotar a práxis na vida privada, familiar. Com os filhos e filhas que pus no mundo. A imagem que prezo é ao mesmo tempo prática. Essa nem sempre é um mar de rosas.

Procurar ser honesto comigo. Tentar amar. Dormir bem o sono dos justos. Definitivamente, disputar eleições sem defender princípios nos quais acredito, nunca foi a minha praia. “Não sei fingir: Não sei ser humano”.

Desisto. O tempo urge. Preciso tratar da saúde e do coração, de hoje em diante. Proteger quem de mim depende, por ainda vulnerável. Cuidar do orçamento para pagar contas, que somente a mim compete.

Defender-me do empresário Mário Kertész e seu filho em processos por ter comentado a publicação das memórias seletivas desse ex-prefeito de Salvador.

E quanto às “causas”? Os outros? O coletivo? Convivo com alguns demônios.

A partir de agora, se não for bullied e se meu Exu permitir, vou recolher-me à minha insignificância.