Maioria de 85% manda mensagem clara a quem decide no voto secreto: UFBA rejeita cabresto de facções e ‘consultas’ ao arrepio da lei

Rejeição fragorosa à intervenção antidemocrática e ilegal das facções político-partidárias na escolha democrática dos gestores principais dessa que é uma das mais importantes universidades públicas federais da região Nordeste.

Assim pronunciou-se a maioria absoluta de 85% de professores, técnicos-administrativos e estudantes da Universidade Federal da Bahia, às vésperas da reunião formal da instituição para elaboração, a 1º de junho, da lista tríplice para escolha de Reitor(a) e Vice-Reitor(a) para o quadriênio 2022-2026.

Essa maioria mandou uma mensagem rotundamente clara aos membros do Colégio Eleitoral da UFBA: Não compactua com “consulta” de “chapa” única ilegitimamente organizada pelos sindicatos Apub, Assufba e DCE.

Realizada a 24 e 25/05 ao arrepio da lei, do Regimento Interno da UFBA e de recentes deliberações do Consuni, da Procuradoria Geral Federal, e de compromisso oficiado por João Carlos Salles depois de inquirido pelo Ministério Público Federal.

De acordo com esses instrumentos legais, a UFBA não realiza nem legitima qualquer consulta prévia sobre o assunto. Tampouco vincula resultados colhidos à margem da lei à formação da lista tríplice de candidatos a ser constitucionalmente encaminhada à Presidência da República.

Este escrevinhador, professor Titular na Faculdade de Comunicação com 20 anos de carreira (clique e leia), e a professora da Faculdade de Ciências Contábeis, Célia Sacramento (clique e leia), apresentam-se ao Colégio Eleitoral formal respectivamente candidatos a Reitor e Vice-Reitora.

  • FRACASSO DA ILEGALIDADE

Mais de 51.000 pessoas que formam a comunidade UFBA não se deixou intimidar pelas pressões, inclusive do Gabinete do Reitor João Carlos Salles, principal cabo eleitoral de seu atual vice-reitor e seu pró-reitor de graduação.

Todo o poder dos recursos utilizados pelas corporações, facções partidárias, máquinas de desqualificação de adversários, difusão de calúnias e mentiras, não foi suficiente para atrair mais do que o deprimente número de 10.351 votantes. 70%, ou 7.340 dos quais, estudantes.

Os números, carentes de auditagem, foram divulgados pela propaganda da “chapa” branca oficial, das entranhas do Gabinete. Salles, há oito anos no cargo, quer instituir uma sucessão dinástica sem dissenso, com seu atual vice (mais 8 anos?) e o vice desse (por mais 8 seguintes?).

Isso representa uma minoria não mais que 17% do conjunto de professores, técnicos-administrativos e estudantes da UFBA. Mesmo percentual que há quatro anos, em candidatura sem oposição, entronizou Salles, a que um setor no movimento estudantil reverencia como “Papi Soberano” em grupos de redes sociais.

De mais de 61.000 pessoas que compõem a comunidade da UFBA, mais de 4/5 (quatro quintos) deu um recado claro aos membros do Consuni e do Consepe que têm a responsabilidade de indicar neste 1º de junho, pelo voto secreto, os nomes que comporão a lista tríplice para os cargos de Reitor(a) e Vice-Reitor(a) para o quadriênio 2022-2026.

É preciso oportunizar a alternância qualificada de poder. Repelir a interferência indevida das facções nos destinos da universidade, favorecer um ambiente menos sectário e mais acolhedor. Resgatar a liberdade do exercício da cátedra, da divergência salutar para técnicos, estudantes e professores, sem favoritismos.

Desprivatizar a UFBA dos partidos, potencializar todo o seu pessoal para os desafios presentes e futuros, retomar sua autonomia sequestrada já há 20 anos e três reitores.

Por uma UFBA inclusiva e diversa, em defesa da ciência e da vida!