Por que disputo ser Reitor da UFBA em 2022

Vídeo em que se lança no canal de Youtube mantido para debater ideias deste virtual candidato

Mantido pelo Congresso Nacional o espírito democrático da Medida Provisória (MP) 914/2019, dirigentes de Universidades e Institutos Federais de ensino passam a ser escolhidos em eleições diretas, abertas à concorrência de todos os habilitados.

Dessa forma, um sujeito com minhas origem e trajetória tem alguma chance de apresentar-se ao colégio eleitoral, composto por seus pares docentes, técnico-administrativos e estudantes.

Se colocado entre os primeiros votados, por força dos efeitos jurídicos da MP, teria o nome obrigatoriamente incluído na lista tríplice a ser encaminhada pelo Conselho Universitário à livre escolha da Presidência da República.

Hoje não é assim que acontece. Reivindicando o que definem por “autonomia”, que querem um dogma tão intocável quanto a imacularidade da Virgem Maria Nossa Senhora Mãe de Deus, os grupos de mando e controle do sistema acadêmico brasileiro são os únicos que estabelecem as regras da disputa e concorrência.

Chamam isso meramente de “consulta”. A qual eles, os mandarins das Universidades – aos quais o intelectual Milton Santos nominava “buroprofessores” -, desrespeitam a seu bel prazer.

Comumente, depois do ritual consultivo – um exercício pantonímico do que entendem por democracia – os caciques que dominam os Conselhos Universitários, ou as Congregações, reunem-se e elaboram, como estabelece a lei, a lista com três nomes submetida à Presidência (ao Governador, no caso das estaduais), que nomeia um dos três.

Listas tríplices são elaboradas por outras instituições, a exemplo de nomeações para dirigentes dos Tribunais de Justiça e do Ministério Público, constando os nomes de todos os que disputam.

Nas Universidades, quando há possibilidade de disputa – coisa que não ocorreu, por exemplo, na escolha do atual Reitorado da Universidade Federal da Bahia (UFBA) em 2018 -, Conselhos Universitários ou Congregações comumente eliminam da lista nomes de concorrentes adversários que, sem serem parte da estrutura de mando, portanto órfãos da máquina institucional, ousam desafiar o status quo.

Elaboram a lista enxertando biônicos, de forma a manter no topo o nome por si referendado na “consulta”. Abduzem outros que disputaram e, para ser tríplice, a lista é completada com “laranjas” de suas facções – atribuindo a esses fantoches o numeral de um ou dois votos.

Foi assim nas duas disputas que fiz, em 2013 e 2017, para diretor da Faculdade de Comunicação da UFBA.

“Cabeças” pensantes desta faculdade, paladinos defensores da “democracia”, mas a seu modo, caso de Wilson Gomes e Marcos Palacios, dois supostos centuriões da causa, se regozijaram no desrespeito ao resultado do processo consultivo por si mesmos traçado. Utilizando terceiros que, descarada e subalternamente, cumpliciam.

Nos dois processos, mais importante que a democracia – gente assim tem um modo todo particular de enxergá-la – tratava-se de sequestrar a vontade de quem participa da consulta, que ao final mostra-se uma farsa, e excluir da lista o nome do adversário.

Esse procedimento vicioso e viciado, nada transparente e democrático – a menos que estejamos no reino da “novilíngua” do 1984 de George Orwell – recentemente saiu pela culatra.

No caso do atual reitor da UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), Jair Bolsonaro nomeou o terceiro da lista elaborada pelos caciques – que ensaiaram algum esperneio, mas engoliram calados a nomeação, já que gente sua.

EXPEDIENTE DAS MPs

A MP 914 tem efeito imediato desde 24 de dezembro. Deve ser analisada, aperfeiçoada – o que esperamos – para ser convertida em lei pela Câmara dos Deputados e Senado Federal em 60 dias, prorrogáveis por mais 60, isto é, até 24 de abril deste 2020.

Ou rejeitada, como se apressam em exigir as elites que controlam a esfera da burocracia acadêmica brasileira – usando o aparato institucional, político, sindical-partidário a seu dispor, buscando intimidar os dissidentes com expedientes os mais abomináveis.

Pela primeira vez na história, contrariando as regras interna corpus que vigem até agora, a MP determina eleição direta, se possível por voto eletrônico, para a escolha dos dirigentes máximos das instituições públicas de ensino federal, incluindo o Colégio Pedro II no Rio de Janeiro.

Quem pode ser contra essas novas regras? Quem tem medo da alternância democrática do poder.

MP é expediente previsto no artigo 62 da Constituição Federal em vigor desde outubro de 1988. Todos os presidentes a partir de então a tem utilizado, nem sempre respeitando os estritos princípios de “relevância e urgência” ali recomendados.

Nesse seu primeiro ano de mandato Jair Bolsonaro encaminhou ao Congresso Nacional 48 MPs, tendo 11 delas transformadas em lei pelo parlamento brasileiro.

MINHAS RAÍZES

Coloco minha candidatura porque, como faço desde os estertores da ditadura militar, na adolescência, em organização da comunidade do Calabar, do Movimento de Favelados e da Federação das Associações de Bairros de Salvador, desafio as castas sociais dessa Bahia escravocrata e desse Brasil racista.

O cargo de reitor é administrativo mas sobretudo político. É nesse diapasão que disputarei tal parcela de poder, numa universidade de mais de 70 anos, localizada na Bahia tida por Meca Negra, que jamais contemplou a possibilidade da inclusão real do negro em suas instâncias relevantes.

Por princípios familiares e éticos, a luta nos movimentos social e negro que abracei sempre fez-me ter ojeriza pelos opressores, sejam de direita ou da esquerda do espectro ideológico.

Sem jamais deixar-me encabrestar, na docência, na pesquisa, na extensão, como orientador na graduação e na pós – ou muito antes disso, como partícipe das causas nobres a favor dos da minha origem nunca fugi às responsabilidades da disputa do poder.

Assim, nos anos 1980, ao mesmo tempo em que publicava livros como Cala a Boca Calabar – A Luta Política dos Favelados e Negritude Favelada – A Questão do Negro e o Poder na “Democracia Racial Brasileira”, me filiava a partidos políticos, seguindo Max Weber.

Num dos dois aos quais fui filiado, o PT, aos 24 anos disputei a prévia para indicação à candidatura a prefeito de Salvador nas eleições municipais de 1985.

Bati chapa, não fazendo feio, com o grupo controlador do partido, de Jorge Almeida Macarrão, que depois me processou por “infidelidade” (apoiei um negro à Prefeitura, Edvaldo Brito, vez que desde então entendo estar para além e acima dos partidos a questão racial negra no Brasil).

Expulso desse partido, por já ali denunciar seus esquemas iniciais de corrupção e sua cosa nostra revelados duas décadas depois pelo Mensalão e pela Lava Jato, em 1988 fui diplomado 1º Suplemente de Vereador pela capital da coligação de partidos de esquerda então liderada pelo recente PSDB, mais PCdoB, PCB e PMB.

Nossa disputa para reitor visa estimular o debate e a discussão sobre temas caros como diversidade, combate ao racismo e ao sexismo, educação inclusiva e princípios da autonomia universitária.

O reitorado não será veia de transmissão de interesses político-partidários, tampouco palanque para o governo de plantão – seja de quaisquer colorações.

Será preciso empreender um diagnóstico sobre os recursos orçamentários e funcionamento da UFBA.

Dimensionar os abusos com o uso do dinheiro investido pela sociedade para manter e elevar seus níveis de ensino e de pesquisa, sem perseguições.

Porque alvo desde quando, ingresso, denunciei e tomei medidas judiciais e administrativas, seremos intransigentes no combate aos assédios. De qualquer tipo – partam de onde partirem, de dirigentes, de colegas, de estudantes.

Atualmente com dois pós-doutorados, atuo como Professor Titular em três unidades da UFBA. Na Facom, no Poscultura do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Milton Santos, do qual sou o biógrafo por ele autorizado.

Também ensino no curso EAD-semi presencial de Tecnologia em Segurança Pública da Faculdade de Direito. Aí fui eleito coordenador do Núcleo de TCCs e Atividades Complementares. Desde junho de 2019, membro do Colegiado coordenado pelo professor Celso Castro com auxílio do professor Antônio Sá.

APERTEM OS CINTOS

Mantida minha candidatura a Reitor da UFBA, já avisei minha filha que mora na Ucrânia (dor de cabeça para Donald Trump) para apertar os cintos.

Não serão questionados os méritos dessa trajetória acadêmica que, nietzschiano, provoca ira e inveja. A gentes boas ou más intencionadas.

Ativistas de facções petistas em barricada na Facom contra este escrevinhador. Clique para ler
Ativistas de facções partidárias abrigadas na Facom, com apoio dos mandatários, em barricada contra este escrevinhador, que os denunciou à Polícia Federal com queixa crime. Clique aqui para saber

Quem se sentir ameaçado na disputa tentará a desqualificação moral que, dito de forma mais clara, esconde o racismo envergonhado que no fundo carregam em seu âmago.

Não se descartem punhaladas pelas costas, mesmo dos que gozem de nossa confiança e intimidade. Amigos, ou supostos, também existem para esses papeis.

O que encontrem de podre e abjeto desse escrevinhador – que não tem vocação para santo – ganhará dimensões as mais crueis. Mesmo por que, Quem esse negro pensa ser para ousar sem a tutela do nhônhô?

Aqui estou para enfrentar os malditos e o destino consensuado para sujeitos de minha origem e cor.

Todo mundo, conservadores e marxistas, quer um escravinho do lado para tutelar. Não para cima de moi!

Parte do que penso ser a Universidade brasileira hoje está na série de vídeos postados, de 1º a 23 de dezembro de 2018, em nosso canal de Youtube. Veja, por exemplo: “Universidades públicas: Lições para ser Reitor”.