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Engenharia de flexibilização nos contatos é a chave sociológica do racismo lusobrasileiro

RACISTAS SÃO OS OUTROS, livro que acaba de ser lançado em Portugal, já pode ser adquirido no Brasil pela internet, por envio postal, a partir deste dezembro 2017.

Pedidos, com nome completo e endereço, devem ser feitos pelo e-mail racistassaoosoutros@gmail.com. Alternativamente também pelo e-mail afirme.se@gmail.com.

O exemplar custa R$ 39, sem incluir despesa de correios. Pedidos de dez ou mais cópias têm desconto de 10%.

Em Lisboa as atividades de lançamento, com dois painéis e duas mesas de debates, foram organizadas pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Mais ao norte, em Braga, o evento se deu na incomum livraria Centésima Página, com apoio do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade do Minho.

Capa do inédito livro que problematiza o lusotropicalismo como política de relações raciais

Dividido em três partes e um prefácio, reúne ensaios de dez autores portugueses, brasileiros e países africanos, convidados a refletir sobre diversos aspectos da atualidade das relações raciais nas sociedades de língua nacional portuguesa.

Com o subtítulo Contribuição ao debate lusotropicalista em África, Brasil e Portugal, o lançamento no Brasil, com debates, está previsto para a partir de janeiro em Salvador, São Paulo e Brasília. Na medida em que haja convites de solicitação, pode se dar em outras praças.

A escolha do título Racistas São os Outros, de acordo com o texto de apresentação, emergiu do seguinte consenso dos organizadores:

  • Para a cultura lusotropicalista, adotada no século XX como política de Estado em Portugal, e assimilada no Brasil pelo ideário da “democracia racial”, o racismo é uma categoria exógena às relações sociais, políticas e econômicas internas dessas duas grandes sociedades.
  • É uma categoria que até pode ser examinada, estudada, visitada. Porém, como um problema exterior. De países que não adotaram a mesma engenharia de flexibilização dos contatos interpessoais que teriam caracterizado a história do projeto colonial português.

Três são os organizadores da obra: Danila de Jesus, jornalista e doutoranda na UFBA, Maria Margarida Marques, coordenadora de pós-graduação em Migrações, Inter-Etnicidades e Transnacionalismos da Nova de Lisboa, e este escrevinhador.

Os demais autores são: Dilma Melo e Silva, pesquisadora da Universidade de São Paulo; José Leitão, atual membro da Assembleia Municipal de Lisboa, onde é líder do Partido Socialista que está no Governo de Portugal – com o ensaio “Meios jurídicos de combate ao racismo”; Renísia Garcia Filice, da Universidade de Brasília (UnB), com estudo comparativo da luta antiracista em Áfricas, Brasil e Portugal; e a jornalista Joana Gorjão Henriques, do jornal Público, de Lisboa.

Jantar comemorativo do lançamento em Lisboa, 17/11. Da esq., Francisco Carvalho, autoridade de Cabo Verde, Margarida Marques, Manuel Carlos Silva, este autor, José Leitão e Romualda Fernandes

Danila de Jesus traz um ensaio a propósito dos “Discursos jornalísticos sobre quilombos – uma análise da Folha de S. Paulo”; a jornalista afroportuguesa Carla Fernandes, criadora do audioblog rádio Afrolis, discute “Mídia e estereótipos raciais em Portugal”.

Ex-ministra de Guiné Bissau, a jurista portuguesa Romualda Fernandes responde em seu ensaio “O que há de África em Portugal?” e Margarida Marques traz um aprofundado estudo da “Imigração e indústria da diversidade – o caso da Lisboa africana”.

O posfácio é de Manuel Carlos Silva, da Universidade do Minho, um dos pioneiros nos estudos e pesquisas sobre os racismos à portuguesa.

O ensaio assinado por este escrevinhador – “O negro na academia brasileira – o Sujeito Insurgente” – é a tradução, ampliada e atualizada, de capítulo de livro originalmente publicado em inglês em 2015. Editado por Bernd Reiter e Ulrich Oslender, o livro saiu pela Michigan State University Press, dos Estados Unidos, com o título Brinding Scholarship and Activism.

A propósito, talvez o livro se preste ao diálogo resultante da entrevista do músico Caetano Veloso com Roberto Mangabeira Unger.

O vídeo acaba de ser postado pelo Mídia Ninja [clique e assista]. Para a discussão proposta pelo livro interessa particularmente o que se segue nos minutos 4:40 e a partir do 34:50.

Porque racistas são os outros, mesmo ilustrados tais Caetano Veloso e Mangabeira Unger mantém-se lusitanamente perplexos e paralisados until now. Na abordagem do racismo transparece a entropia: nos trejeitos, gaguices, pausas, caras e bocas de ambos.

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