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Experiência do paladar na Afrika austral

Crianças no litoral de Beira, importante cidade portuária de Moçambique [fotos: Danila de Jesus]

O VIAJANTE mochileiro em condições mínimas de pagar por sua hospedagem, na hora de comer depara-se com tudo o que é coisa.

Na volta que dei pelo mundo em 2012, em boa companhia, a melhor comida de hotel que jamais havia desfrutado como mochileiro foi na África.

Assanti sana!, meu muito obrigado em swaíli.

Olha que estávamos vindos de hotéis e hostels dos quatro cantos. De San Francisco (USA), Tokyo, Kyoto e Hiroshima (Japão), Xi’an e Beijing (China), Tehran (Iran) Istanbul e Izmir (Turquia).

De Athenas (Grécia), Roma (Itália), Frankfurt e Köln (Alemanha), Amsterdan (Holanda), Brussels (Bélgica), Paris (França), Geneve (Suiça).

Morogoro Road, trecho em construção próximo à Universidade de Dar-es-Salaam

De Barcelona, Menorca e Madrid (Espanha), Lisboa (Portugal). Fizemos conexão no Qatar, pegando um avião rumo a Dar-es-Salaam (Tanzania). Onde nos esperava no aeroporto Julius Nyerere um emissário da Embaixada brasileira daquele país africano.

O embaixador havia nos recomendado hospedar em hotel na Morogoro Road, proximidades da Universidade de Dar-es-Salaam. Onde faríamos pesquisa para a biografia do geógrafo Milton Santos, que ali trabalhou na década de 1970. [clique e saiba]

Havia muita poeira por conta de obras na estrada, então resolvemos mudar para um local mais ao centro da fervilhante cidade margeada pelo oceano Índico.

Desembarque no aeroporto Julius Nyerere em agosto 2012

Encontrei vaga num hotel da internacional cadeia Holiday Inn, mais adequado às nossas pretensões, mesmo porque o quarto, limpíssimo, parecia nunca antes ter sido ocupado: o hotel “estalava” de novo!

Comida de hotel é loteria. Neste caso, acertamos.

Por exemplo, o café da manhã do Bedford Hotel no centro histórico de Bruxelas. Dificilmente haverá outro lugar, a preço módico, que se equipare em diversidade, qualidade, fartura, discrição no atendimento e organização.

Em Dar-es-Salaam, porém, o que desfrutamos nas três refeições diárias servidas no restaurante do Holiday Inn foi de uma experiência inigualável. Em todos os sentidos e requisitos, inigualáveis.

Ponte que liga Moçambique continental à ilha de Moçambique, onde o país “começou”, entre Pemba e Nampula

Pratos frios e quentes no frescor da medida certa. Gentileza e indumentárias dos atendentes, garçons e chef, absolutamente irrepreensíveis.

Tempero e sabor das variadas opções – das sopas com taninos de gengibre e de cítricos, pães e cuscuz de preparo próprio, às carnes cozidas no corte e na medida exatos -, nada era lugar-comum.

Tudo isso realçado pelo ambiente africano – diverso de todos os demais -, com a equipe de assistência do hotel atenta aos detalhes. Pronta para responder em inglês ou swahili, língua da qual aprendemos alguns termos e palavras para melhor nos comunicar.

Em verdade essa parte do continente africano banhada pelo índico é marcante na presença de capital e investimentos estrangeiros. Principalmente árabes, notamos.

Agendamos um jantar no suntuoso Dar-es-Salaam Selena Hotel, cuja diária gira em torno de R$ 900 (US$ 280). Em menos de três horas é impossível dar conta do experimento. Luxo, quase magia, cores e paladar – tudo junto. Aguçado.

A caminho da África, uma parada em uma das filiais do “Museu do Jamon”, dos mais acessíveis lugares para petiscar e beber uma caña em Madrid

Em Zanzibar, ainda Tanzania, mas depois nas quatro localidades – Nampula, ilha de Moçambique, Beira (onde se come um frango na brasa com piripiri delicioso) e Maputo – nas quais nos hospedamos em Moçambique, a culinária foi um ponto especial de nosso périplo. Finalizado em Johannesburg, África do Sul, antes do retorno ao Brasil.

 

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