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Plano de retrocesso institucional passa por assassínio moral de Sérgio Moro

Meu amigo, a justiça portanto talvez não seja uma coisa muito séria, se é útil somente quando se faz uso das coisas.

É o que assevera Sócrates, alterego de Platão em A República, Livro I: VIII.

Símbolo do combate à corrupção que estrutura a miséria brasileira, Sérgio Moro é alvo predileto do acordão para anular a Lava Jato no STF

Desde junho de 2015, quando a Operação Lava Jato pegou talvez a maior estrela do capitalismo tupiniquim, Marcelo Odebrecht, presidente da multinacional empreiteira Odebrecht, ficou claro que Luís Inácio Lula da Silva entrou em desespero.

Como uma Cassandra, predisse isto aqui neste blog há quatro anos e três meses, a 21/06/2015. O preclaro leitor pode conferir clicando no link.

A máquina do Partido dos Trabalhadores, em sociedade com demais partidos aliados e outros devotos, como deus Apolo cerrou fileiras para desacreditar todo o trabalho realizado pela força tarefa investigatória.

Em maio deste 2019 um site de notícias financiado por um bilionário desde os Estados Unidos da América, The Intercept Brasil, reforçou a campanha contra os agentes públicos à frente da Lava Jato.

The Intercept vem paulatinamente divulgando, dia sim outro também, troca de mensagens privadas entre a parte denunciante na Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal, e o juiz sorteado para presidir o processo, Sérgio Moro.

Ressalte-se: esses agentes não cometeram crime. Não desviaram para seus bolsos milhões do dinheiro dos brasileiros, como fizeram os condenados pela Lava Jato.

Passados quatro meses desde que a troca de mensagens vem a público, o máximo que a defesa dos criminosos alega é que o juiz agiu com parcialidade para por na cadeia ícones como Luiz Inácio Lula da Silva.

Qual a tese, a partir do roubo das mensagens do aplicativo Telegram, daqueles que defendem os corruptos investigados, presos e condenados pelo juiz?

Que Moro agiu ao arrepio das regras da magistratura. Por isso, é suspeito.

Essa, a interpretação romantizada de The Intercept e defensores dos criminosos que assaltaram a Petrobras.

A interpretação da lei feita pelo juiz, nesse caso, não conta. O cotidiano do funcionamento da máquina judiciária brasileira tampouco é considerado.

Walter Delgatti Neto, hacker que passou a The Intercept, o lote de mensagens das autoridades roubadas no aplicativo Telegram

Toda a Lava Jato, dizem The Intercept e a ampla corrente de defensores de Lula, é uma farsa. Suas decisões necessariamente têm de ser anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

No enfrentamento ao crime organizado que um dia usou o Palácio do Planalto por sede, a força tarefa composta por agentes públicos na Polícia Federal, Ministério Público, Receita Federal e o Judiciário teria de manter a candura. De Pollyanna?

De repente uma legião de raposas se diz apta a tomar conta do galinheiro. Doutas raposas, paladinas do legalismo mais escorreito, mais estrito das normas constitucionais.

Tadinhas das galinhas. Neste caso o populacho mergulhado em carências de toda natureza. Em razão de que o dinheiro que deveria atender direitos básicos de segurança, de saúde, de educação, de emprego de qualidade, foi desviado para contas secretas em paraísos fiscais, malas, cuecas, triplex, sítios.

Pouco importa se as mensagens divulgadas com estardalhaço pelo consórcio de The Intercept foram obtidas ilegal e criminosamente.

A partir da invasão, feita por um grupo de hackers já envolvidos em crimes outros, de contas particulares do aplicativo russo Telegram pertencentes àquelas autoridades empenhadas no combate às quadrilhas do crime organizado.

O jogo é bruto e deve custar algum dinheiro à parte que banca essa jogada de alto nível, qual seja, anular os procedimentos, investigações, apurações, oitivas e condenações de poderosos senhores empreendidas pela Lava Jato.

Gente que foi alcançada pela devassa, e outras tantas ameaçadas gentes do alto escalão dos poderes econômicos, da elite da Câmara dos Deputados, do Senado e do Supremo Tribunal Federal, parecem empenhadas em pacto sinistro.

O chefe do poder Executivo, o arrogante patriarca Jair Bolsonaro, contribui a seu estilo para alvejar Sérgio Moro.

Parece que o núcleo duro do bolsonarismo enxerga Moro como empecilho. À operação abafa para impedir a continuidade de investigações de suspeitas de ilegalidades dos filhos do presidente.

Moro, pela boa avaliação que mantém nas pesquisas de opinião, também é visto como empecilho a pretensões eleitorais de Bolsonaro. À megalomania deste fazer do Brasil, ao revés, o que tentou o partido derrotado nas eleições presidenciais de 2018.

  • A LAVA JATO, tendo por magistrado responsável o juiz de primeira instância da 13ª Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba, Sérgio Moro, fora deflagrada em março de 2014.

Começou como uma investigação prosaica de lavagem de dinheiro a partir de uma casa de câmbio (troca de moedas estrangeiras), localizada em posto de combustíveis e de lavagem de automóveis em Brasília, capital da República.

Ao puxar o fio da meada revelou, como nunca antes na história do Brasil, as entranhas da estrutura dos esquemas de corrupção, base das históricas desigualdades sociais do país.

Ministro Alexandre de Moraes (STF), tutor de parte da dinheirama real de uma Operação Lava Jato que desnudou um esquema de corrupção negado por Lula e asseclas

Provou-se como o projeto de poder do Partido dos Trabalhadores, tendo Lula por líder inconteste, se sofisticou desde a Ação Penal 470 (Mensalão). Como esse projeto aparelhou uma das maiores empresas petrolíferas do mundo, a Petrobras, utilizada como estuário da corrupção.

Alguns de seus dirigentes foram condenados, ao lado de uma centena de empresários e políticos de uma dúzia de partidos. Todos foram obrigados a devolver milhões seja à Petrobras, seja ao poder judiciário para aplicação pública.

Clique aqui e assista ao vídeo no canal do Youtube ZeDeNoca.

Revelado o esquema, a Petrobras foi multada aqui e alhures. Na Justiça de Nova York, ameaçada de uma derrota letal por processos movidos por investidores da bolsa de Wall Street, onde oferece suas ações, preferiu antecipar-se a condenações.

A estatal brasileira celebrou acordos judiciais com aqueles investidores, assumindo pagar multa que beira US$ 4 bilhões.

A Justiça estadunidense obrigou a Petrobras pagar no Brasil parte da multa, cerca de R$ 2 bilhões.

Esse dinheiro resgatado pela Lava Jato será agora, por decisão do ministro do STF, Alexandre de Moraes, investido em educação pública. E na defesa e desenvolvimento da Amazônia.

Odebrecht e OAS, além de outros entes envolvidos, também fizeram acordo e devolveram dinheiro surrupiado ao povo brasileiro pelo esquema da corrupção patrocinada na Petrobras pelos que tinham obrigação de defender os interesses daquele mesmo povo que disseram representar.

Na medida em que Sérgio Moro, símbolo da Lava Jato, personificou a esperança do fim da impunidade dos ricos e poderosos, foi marcado para morrer. Seu assassinato não se deu fisicamente (ainda).

Sérgio Moro é submetido a um assassinato moral.

Desde que mexeu com a estrutura da leniência que habitualmente livrava das grades setores da elite empresarial e política nacionais, não podia esperar coisa diversa.

Entende-se, assim, porque deu o arriscado passo que o fez largar 21 anos de magistratura, abrigando-se como auxiliar do bolsonarismo.

O “benemérito” Marcelo Odebrecht, condenado e preso pela Lava Jato, teve de devolver soma milionária em multas pela corrupção que entre outros beneficiou o “amigo” de seu pai

Por torpe, Bolsonaro assiste e colabora, por razões familiocráticas, com a desidratação que aqueles promovem contra o ex-juiz.

Com isso, bolsonarismo, petismo e jornalismo a la The Intercept somam fileiras, se abraçam.

A meta é o retrocesso.

A pá de cal são as anulações de condenações de réus da Lava Jato, Lula à frente. O ministro do STF Gilmar Mendes – quem diria! – é a face aberta na corte desse ataque.

Um subtítulo de Peter Burker (A cultura popular na Idade Moderna), me ocorre. É a vitória dos corruptos, ou da quaresma, se a profecia materializar-se como se desenha nas nuvens.

Meu prognóstico? Se não houver uma reação nas ruas, juntos o Congresso Nacional, Bolsonaro e o STF anulam ou enquadram a Lava Jato.

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