HAMILTON BORGES, idealizador da campanha-movimento “Reaja ou Será Morto(a)” contra a violência policial principalmente dirigida aos negros – o que inclui o que ocorre dentro do famigerado sistema penitenciário brasileiro -, está divulgando seu mais recente livro.

Intitulado Salvador, Cidade Túmulo, terá novo lançamento neste 20 de junho, a partir das 18h, na roda de conversa do programa “Violência em corpos negros”, no Museu Afro-Brasileiro da UFBA, prédio da Faculdade de Medicina da Bahia/UFBA, no Largo do Terreiro de Jesus (Centro Histórico).

Este não é o primeiro livro de Hamilton Borges sobre a temática. Diga-se que esse autor, personalidade fundamental nos recentes anos da luta antirracista brasileira, adquiriu o papel de uma das maiores autoridades para falar do assunto.

Ao lado de centenas de outros militantes, tendo por figura de proa Andreia Beatriz, com a campanha Reaja! Hamilton tem sido a voz que não se cala.

Mercê de ameaças e pressões de todo o tipo – materiais, psicológicas etc. – que o atingem, em contexto no qual o Estado não apenas na Bahia, mas criminosamente na Bahia, lava as mãos com o sangue da comunidade negra.

Andreia Beatriz e Hamilton Borges, em evento realizado na Universidade do Texas-Austin (US). Foto: The Daily Texan

Andreia Beatriz, que tem doutorado em Medicina, sua companheira e mãe do belo filho do casal, é talvez a mais importante militante do movimento negro atual. Por sua coragem pessoal e por seu envolvimento direto na assistência à saúde de presidiários.

Metendo a mão na massa, e não apenas teorizando confortavelmente sobre a questão, o Reaja! cultiva apoios e centenas de adversários. Inclusive entre os adesistas de pele escura, aliados político-partidários do establishment governamental e para-governamental, acadêmico inclusive.

Não somente os brancos de mando. Alguns desses ativistas vêem o Reaja! pelas costas. Ótimo! Sua pele já se tornou acinzentada pelo convívio em gabinetes e outros meetings com quem os financia (Ashoka, Ford, Kellogg´s e outras tantas Foundations).

Diferentemente do trabalho encampado por personalidades como Hamilton Borges e Andreia Beatriz, fogem do enfrentamento radical com as estruturas do poder.

Como alternativa ao morticínio – um projeto de gestão de sucessivos Governos eleitos – apresentam palhaçadas como um tal de “Vale do Dendê”.

Ideia paroquiana essa de “Vale do Dendê”, sem qualquer originalidade até no nome.

Não importam seu marketing e a plástica de seu website, perfeitos para inglês ver. Sua função precípua é continuar irrigando o bolso dos que a venderam ao mercado daquelas fundações estrangeiras.

Às quais, com supostas boas intenções e a atração de inocentes úteis por clientela, esses ativistas comportadamente devem obediência e prestação de contas anuais.

Isso não é novidade. Faz mais de quatro décadas. Alguns utilizaram da miséria do negro para montar seu próprio patrimônio, enquanto o status quo da negrada manteve-se praticamente inalterado.

A doutora Andreia Beatriz, Ph.D, discursa em Brasília em ato de sua posse no Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária

Lá atrás os unia, Geledés incluso, a oposição ferrenha às cotas, reparações e políticas compensatórias de ações afirmativas. Que depois, oportunisticamente como convém, souberam todos abraçar como ideal também seu.

Hamilton Borges, respaldado pelo Reaja!, tem propostas de políticas nas áreas de contenção do genocídio do povo negro e do sistema penitenciário.

O que torna imprescindível e urgente a todos os que realmente estão empenhados na superação da violência letal ouvir e ler o que tem a dizer.

Ainda mais agora, quando acabam de ser divulgados dados confirmando: estão na Bahia 5 entre as 10 cidades brasileiras com maior taxa de homicídios, de acordo com o Atlas da Violência 2018, do Ipea. [clique e saiba].

Bahia, Estado, frise-se, governado pelo PT (Partido dos Trabalhadores) de Lula e Jacques Wagner há 12 anos. Haverá alguma surpresa se um direitista como Jair Bolsonaro, pregador da ordem da caserna, empolgar os eleitores baianos em sua campanha presidencial?

Sem papo-furado, Hamilton Borges tem o que instigar.

Com Salvador, Cidade Túmulo, ou em seu livro anterior, Teoria Geral do Fracasso.

A única ideia errática defendida por seu movimento-campanha, contudo compreensível, é a da pregação do voto nulo em eleições como a que se avizinha em outubro. Mas essa é outra discussão…

(*) Citação retirada de matéria, aqui comentada, publicada em 10/11/2013 pelo The New York Times, mais influente jornal dos United States of America. Clique aqui e leia.

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