NÃO ACREDITO que o feminismo tenha vindo para impor o que se deve fazer, pois se assim o fizer estará usando as mesmas armas do opressor.

Facom, 9/03/2016: alunos que foram estudar, mas o professor foi barrado por articulação de ativistas que puseram uma barreira de carteiras na porta da sala

Facom, 9/03/2016: alunos que foram estudar, mas o professor foi barrado por articulação de ativistas que puseram uma barreira de carteiras na porta da sala

Esta semana emergiu um movimento liderado por algumas pessoas em torno de colocações e provocações que faço em sala de aula na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), da qual fui também estudante na década de 80.

Estou sob uma saravaida de acusações que questionam se é politicamente correto ou não o que tenho a dizer sobre temas polêmicos, a exemplo do sexismo.

O movimento é legítimo e compreensível na perspectiva de que os alunos que representam a força da universidade estão mobilizados.

Outro aspecto relevante se dá na pauta que se levanta, extremamente desprezada dentro da estrutura universitária. Que, sim, é patriarcal, reflexo de uma sociedade como a brasileira.

O que acho perigoso é o fato desta pauta ser seletiva e pontual.

Diante das posturas levantadas não existe um movimento de construção política e institucional dentro da UFBA.

Não é um movimento que propõe o diálogo.

O que se propõe é a execração pública de um professor que tem família e filhos e uma trajetória construída com muito esforço dentro e fora da universidade.

Afinal, todos e todas que sempre por quaisquer razões se sentiram desconfortados sempre tiveram abertura para contrapor ideias nas minhas aulas.

É de uma desonestidade intelectual criminosa retirar frases do seu contexto, distorcê-las e, dessa forma, entregar como um prato cheio à turba sedenta de temas sensacionalistas.

É uma prática nazifascista, como exposto por um George Orwell no tocante à “Polícia do Pensamento”, estimular denuncismos, anônimos ou não, contra aquele que, em dado momento, fala “o que não deve”.

É a esse processo destruidor de reputações que estou sendo submetido.

Neste ambiente universitário que deveria estimular o debate e a sua pluralidade, pouco se estabelece tal prática. E sim, a polarização maniqueísta, extremamente perigosa na produção do conhecimento.

Esta personificação flerta com o fascismo e quer atribuir a mim, gratuitamente ou não, toda a pecha de homofóbico, machista e sexista.

Entendo ser a estrutura universitária uma máquina que coloca professores como Semi-Deuses, intocáveis. Precisamos discutir isso.

Porém, o que se estabelece neste momento é uma tentativa persecutória sem diálogo e arbitrária. De linchamento moral. Expondo não só a mim, mas as mulheres que fazem parte da minha vida particular.

Compreendo que a universidade sempre foi e ainda será este ambiente hostil ao contraponto. Mas não servirei de bode expiatório.

Tenho recebido apoio, mensagens, ligações de alunos heteros, gays, lésbicas, negras (os) e não-negras (os)  – muitos até bolsistas e ex-bolsistas, orientandos e participantes dos grupos de pesquisa que coordeno.

Revelam-se acuados diante de uma matilha enfurecida, alimentada por estruturas partidarizadas politicamente, com interesses outros.

Sabemos da mediocridade humana e daqueles que por razões outras são meus desafetos dentro e fora da UFBA. Com a qual estou em conflito judicializado no qual sou autor e um grupo de dirigentes da cúpula é réu. Esse grupo tem o poder de esmagar os dissidentes.

O enfrentamento não cessará pelas próximas semanas, meses e anos. Há essa coisa imbecil da parte dos que se declararm e agem com autonomia intelectual, de pensar e expressar sua opinião.

Tal postura, dialeticamente, traz em seu bojo consequências por vezes danosas ao sujeito da fala. Comporta riscos, como esse que estamos assistindo. Ou que podem ser mensurados aqui mesmo neste espaço de divulgação.

Neste momento há vampiros, mesmo na moita, que se regozijam de todo e qualquer linchamento a mim dirigido.

Pondero junto à cúpula de mando institucional para que saiba conduzir de forma imparcial a apuração das acusações. No conjunto da UFBA, tais acusações têm sido recorrentes, atingindo outros professores.

Diante disso, que fortaleçamos o debate dentro da universidade.

Até agora não foi colocada pelo grupo de alunos incomodados qualquer reivindicação diante do professor. O que se busca não é retratação, debate ou diálogo. Sim, a execração sumária de alguém que é um provocador de ideias dentro e fora da universidade.

ACEITO O DEBATE ampliado dessas discussões, mas repugno qualquer perspectiva fascista, travestida de libertária, que pretende colocar este professor como um criminoso, trilhando um caminho alimentando pelo ódio, o racismo e a misandria.

Nunca, jamais, obtive “favores” sexuais de alunos ou alunas. Nunca, jamais, pressionei, chantagiei ou utilizei da minha função para daí extrair a submissão de vítimas.

Sempre pautei minha conduta em sala de aula com tratamento equânime, sem favorecimentos ou perseguições de quem quer que seja. Essa postura pode também levar a interpretações equívocas da parte de quem se vê prejudicado nos debates e cobranças acadêmicas que faço. Somam-se aos “denunciantes” e “justiceiros”.

Reconheço que representam instituições organizadas e partidarizadas comandadas por homens “admiráveis” na perspectiva feminista, que revelam a dicotomia do debate.

Problemas sociais como a discussão em torno do machismo e sexismo são urgentes, e isto se resolve não acusando pessoas de forma irresponsável.

Se assim fizermos na UFBA, estaremos perdendo a oportunidade de construir um legado de debate, que não compete apenas às mulheres, dentro de uma estrutura maior que é a universidade.

Sabemos que existem interesses outros em torno desta postura belicosa que nada tem a ver com o feminismo altivo.

Aqui não defendem algo e sim, atacam. Uma certa inocência que acredita que o “problema” está no ataque à pessoa e não à estrutura que se retroalimenta, diariamente, de práticas e condutas machistas. Às quais sempre condenei.

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