Raciocinando de forma prospectiva, a melhor coisa que aconteceria aos brasileiros e brasileiras neste exato momento seria Nossa Senhora da Boa Morte apiedar-se do Brasil e chamar a seus braços o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De quebra, numa tacada só, também o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro.

Há cinco décadas Lula tem sido um “mal necessário”, na tumultuada história do Brasil, sucedida por frequentes ciclos de sístole e diástole. Sua morte fará evaporar o carma que sua presença entre nós nos impõe – para o bem ou para o mal.
Bolsonaro foi catapultado à presidência da República no contexto das crises política, econômica e social geradas na gestão federal do continuísmo lulista entre 2003 e 2016.
Sem Lula, isto é, sem o que o lulismo tem representado concreta e simbolicamente na vida do país desde o fim da ditadura militar (1964-1985), Bolsonaro seria pra sempre uma personagem opaca em nossa história.
A partir de 2013, com a falência do modelo lulista de governança, quando multidões tomaram as ruas exigindo reformas na política e combate à corrupção sistêmica profissionalizada pelo partido do poder (PT), Bolsonaro soube tornar-se o principal beneficiário dos descaminhos lulistas, cuja resultante mais aparente é o antipetismo orgânico.
Se Lula tem sido um mal necessário, Bolsonaro é sua contraparte: um mal que os brasileiros não precisariam experimentar.
Não fossem as opções de Lula no período em que assumiu a República iniciado com sua eleição em 2002 e findo em 2016 com impeachment da “mãe do PAC”, como ele vendeu Dilma Rousseff aos eleitores, é de se duvidar que Bolsonaro ascenderia como catalisador da alta rejeição que Lula carrega consigo.
Bolsonaro e Lula utilizam linguagem semelhante para mobilizar as energias de seu público eleitor. Ambos são populistas à direita e à esquerda. Demagogos cuja presença entre nós tem causado dissídias e paixões. Não se esqueça que todas as paixões são enfermidades.
Lulismo e bolsonarismo não sobreviverão ao teste do tempo, enviados esses senhores para as catacumbas. Haverá tentativas de manter o espólio dos mortos-vivos, inclusive a partir de Janja e de Michelle.
Um e outro ideário têm anuviado, com alto custo para o país, o cenário político nessa quadra histórica recente da Democracia no Brasil.
Deus: livrai-nos de uma vez por todas desse mal!
A menos que o que advir seja pior ainda. Nesse caso, o problema não é Lula nem Bolsonaro. Seria o “destino-manifesto” do país: não ir para lugar algum. Um atoleiro forever.
É querer demais do Universo!
Ledo engano pensar que Bolsonaro seria uma personagem irrelavante ante a inexistência de Lula, caro professor!
Os movimentos de extrema direita e suas lideranças estão a avançar sobre a combalida democracia ocidental nas mais diversas nações do globo: Estados Unidos, Argentina, El Salvador, Itália e tantas outras. Trata-se de problema conjuntural, que independe de lulismo, antipetismo ou qualquer outra justificativa.
Parece mesmo que perdemos a vergonha de mostrar que somos escrotos.
Não entendi sua conclusão. A extrema direita é escrota, é isso que você conclui? E o reverso, tem sido historicamente o que?
Ao longo da história, foram os movimentos de esquerda que defenderam uma sociedade mais justa e equânime, melhores condições de vida e trabalho para os desprovidos, mesmo que isso tenha sido feito com o simples objetivo de empreender manipulação política e ideológica sobre os povos.
Agora, o cenário mudou de figura. Mesmo sustentando um discurso preconceituoso, discriminatório, excludente e negacionista, a extrema direita segue se fortalecendo no mundo.
Bolsonaro e a extrema direita mundial têm angariado apoiadores e avançado sobre as democracias não por essa ou aquela razão, mas sim porque o ser humano perdeu a vergonha e decidiu assumir que é escroto por natureza.
Eu cresci ouvindo da minha avó que o problema do Brasil são os brasileiros! A cada ano que passa só aumenta o meu arrependimento por ter brigado tanto com ela por essa afirmação…