A 7 DE FEVEREIRO este blog tomou a dianteira na indignação de um fato construído junto à opinião pública baiana como uma luta do bem contra o mal.genocidio_da_juventude_negra

Aqui foi publicada (clique para ler) a primeira crítica responsabilizando o governo do PT na Bahia pela política genocida que estimulou uma guarnição da Rondesp (Rondas Especiais da Polícia Militar), na madrugada anterior, a assassinar um grupo de 12 jovens e ferir outros tantos numa comunidade da periferia de Salvador.

Três meses e 15 dias depois o Ministério Público(MP), órgão independente assegurado pela Constituição Brasileira, depois de cuidadoso inquérito apuratório independente, denuncia à Justiça nove policiais envolvidos na sanguinária ação, solicitando a prisão deles.

Competirá à Justiça aceitar ou não a denúncia. Seja como for, esses policiais são a parte mais frágil do esquema da truculência e da arrogância governamentais. Sem uma política de segurança digna desse nome, improvisam e desrespeitam as leis.

O governador Rui Costa, seu secretário de (in)Segurança Pública Maurício Barbosa e o comandante-geral da Polícia Militar da Bahia deveriam também ser denunciados pelo MP.

Ao menos como cúmplices. Já que antes mesmo dos corpos daquelas vítimas esfriarem, os três, açodadamente, mobilizaram sua máquina de propaganda para aplaudir a covardia policial, que se tornou norma sob o petismo na Bahia.

O governador do Estado pronunciou discurso para as câmeras de televisão no qual afirmava, sem indícios ou provas, a inocência dos exterminadoras, considerados por ele como heróis no combate ao “crime”, comparados a “artilheiros” diante do gol numa partida de futebol.

Sua fala a seguir se respaldou em sondagens pagas com o dinheiro público sobre a opinião da população da cidade. De acordo com o resultado, cuja síntese se baseia na crença de que a violência deve ser enfrentada concedendo ao Estado a autorização, fora da lei, de matar seja criminosos pés-de-chinelo seja suspeitos de crime, o governador e seu aparato policial montaram o seu discurso.

As instituições de defesa dos direitos humanos, a Universidade, a imprensa, o grosso dos movimentos sociais – todos alinhados ao petismo -, diante do escândalo daquela ação policial no bairro do Cabula (apenas uma de milhares cotidianas), e da palavra-de-ordem governamental, titubearam em princípio.

Demoraram na reação tanto ao discurso de Rui Costa quanto a compreender que no Estado Democrático de Direito a Polícia não tem carta branca para matar. A população paga para receber segurança, o que significa planejamento, investigação, precaução e prisão de envolvidos em atos criminosos. Não pode a Polícia mesma se tornar agente de crimes.

A timidez desses setores que se declaram progressistas (e até esquerdistas) é por conta da sua íntima relação incestuosa com o poder de plantão. Estão a se ver forçados, mesmo a contragosto, a reconhecer a ilegalidade do modus operandi da polícia comandada pelo governo que ajudam a eleger, reeleger, re-reeleger e que não querem derrotar nas urnas.images

Os mortos e os amedrontados por tal política de (in)segurança que vigora, sem alteração, nos últimos nove anos, em sua maioria são a escória social. Já há até quem esteja vendo neles uma fonte de politicagem, de auferimento de renda e de votos.

Faz-se necessário ficar alerta contra esses oportunistas. Assim como é exigência da sociedade crítica dois procedimentos conexos com a denúncia do MP.

Primeiro: Rui Costa deve vir a público desculpar-se por sua irresponsável declaração sobre os cadáveres daquelas vítimas, assumindo indenizar os familiares dos chacinados.

Segundo: Que os denunciados não se restrinjam meramente ao estrato de baixo da Rondesp. E o comando? E o secretário Maurício Barbosa não vai pedir demissão?

As práticas genocidas da Polícia, necessária instituição  à qual todos tanto devemos, precisam e devem ser desestimuladas. Para isso, a abordagem de segurança pública teria de mudar de cima para baixo. A culpa não pode ficar apenas com o mordomo, o bandeirinha.

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