Por dever de ofício todos os dias tenho de debater com alunos temas da atualidade política.

Esta semana está em pauta, entre outros temas – soltura, em breve, do condenado Lula da Silva -, a canonização pelo Papa Francisco da baiana Irmã Dulce. Assista comentário em “Ze de Noca“.

Elogiei a freira por sua livre iniciativa. O importante é que ela investiu com denodo em sua vocação: praticar o assistencialismo. Com isso, ganhou um lugar no céu.

Ou seja, as pessoas devem se esforçar. Acreditar em si mesmas, ser guiadas por sua vontade.

Vontade é potência, ensinou o filósofo. Infelizes os desafortunados de vontade, sempre pelos cantos se queixando disso e daquilo!

Irmã Dulce Pontes (1914-1992) é exemplo de fé no que se dedica. Apesar, acrescentei, de seus subterrâneos. Seus incontáveis malfeitos.

Uma aluna, das que mais provocam no presente semestre, aludiu:

“- Quem, humano, não os têm?

Respirei. Aproximei-me. Olhei nos olhos dela e, segurando os meus demônios, disse:

– Tem razão. Você mesma sairia daqui agora correndo em disparada de perto de mim se soubesse das minhas baixezas.

Gargalhadas na sala. Mas eu falava sério. Como o Fernando Pessoa de Poema em Linha Reta.

Irmã Dulce e sua clientela de empobrecidos e indigentes nas ruas de Salvador da Bahia

Cheguei até aqui, vivinho da silva, alternando boas obras e atos vis. Esmurrado na boca e devolvendo com socos e pontapés.

Meus alunos, quando não se levantam, irados, viram as costas e batem a porta da sala para nunca mais retornar à aula, se divertem.

Mesmo os (ou as, para ser politicamente correto) mais rabujent@s.

Admitem algum fundo de grandeza da minha parte quando afirmo:

Antônio Carlos Magalhães, ex-mandatário absoluto da Bahia por três décadas, era mais merecedor de canonização que essa freira.

Parecem desconfiar ser eu, no fundo no fundo, um justo. Embora pecador.

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