TRONO DE SANGUE, adaptação de Antunes Filho, dos maiores nomes do Teatro brasileiro nas últimas quatro décadas, para Macbeth, de William Shakespeare, era um banho de interpretação, encenação e espetáculo.

Estrela luminosa, Antunes morreu a 2 de maio aos 89 anos.

Samantha Dalsoglio, como a astuta Lady Macbeth, e Luís Melo, protagonista de Trono de Sangue, montagem de Antunes Filho para Shakespeare em 1992

Centenas de atores, dramaturgos, diretores, compositores e pessoal técnico renderam justa homenagem em seu velório.

Seu corpo foi posto no palco do Teatro Sesc-Vila Nova, Sesc-Anchieta, ou Sesc-Consolação, como se denominava, região central de São Paulo, capital.

Antunes Filho fez desse espaço cultural do sistema Sesc sua própria residência por quase quarenta anos.

Fez ali suas oficinas de experimentação dramatúrgica, quase sempre resultando em montagens de peças que se sucediam a cada ano, desde o início de 1990.

Jamais suas montagens passavam incólumes. Sempre repercutiam. Atraíam público, que esgotava a venda de ingressos com semanas de antecedência.

O “mestre da cena”, Antunes Filho, morto em São Paulo

A crítica especializada o elegia a posição de ícone, premiando e saudando as dezenas de atores e atrizes, a maioria estreantes, que ele lançou para o sucesso nacional – no teatro, na TV, no cinema.

Este escrevinhador teve o privilégio de frequentar suas peças na primeira metade da década de 90.

Alugava um apartamento em prédio colado ao teatro, na rua Dr. Vila Nova. Bastava descer, entrar no Café ao lado no qual atores, diretor e público batiam ponto, e depois entrar naquele espaço.

Ver Trono de Sangue, do Grupo Macunaíma, que catapultou a carreira do excelente ator Luís Melo, que fazia Macbeth, foi uma experiência e tanto!

Não apenas estética. De vida!

Fica estabelecido: não somente de pão vive o homem. Tampouco do ordinário que é a vida na terra, com suas chatices, agruras, taxas e contas a pagar.

A alma de Antunes Filho se doava toda e completamente à estética da arte teatral. Domava com mãos firmes, aos trancos, a genialidade do bardo inglês.

Ninguém saía o mesmo depois de passar por entre o texto de Shakespeare entregue ao talento, à inquietude de Antunes Filho.

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O estado da arte do Jornalismo em dez lições é a série de vídeo-depoimentos que nas recentes semanas está disponível em nosso canal no Youtube. Acesse aqui e tome ciência.

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