EM SALA DE AULA com temáticas de comunicação, poder e atualidade, cultura e sociedade no Brasil, provoco meus alunos em face da resiliência do candidato Jair Bolsonaro.

Qual a maior ameaça à democracia no país neste 2018: o candidato do nanico PSL ou o Partido dos Trabalhadores-PCdoB?

A poucos dias do primeiro turno das eleições presidenciais a 7 de outubro, o capitão do Exército aposentado se mantém à frente nas chamadas “pesquisas” de opinião.

Marina Silva, como aqui dito a melhor candidata para o Brasil no momento, não consegue sensibilizar o eleitorado. Somente um  milagre a colocaria no segundo turno.

Faz 28 anos, desde a volta da democracia, o país tem sido governado por projetos políticos de esquerda e de centro.

Que tal agora dar oportunidade a um “direitista” assumir o comando?

Será que extraterrestres, os Illuminatis, a maçonaria e os Templários estão com este capitão do Exército aposentado?

No ambiente acadêmico – cuja doutrinação de “esquerda” e, com alguma razão, a demonização dos militares começam no ensino fundamental – a proposição soa herética.

Ou a maluquice, como noutro contexto colegiado declarou inamistosamente uma colega a meu respeito. Respondi caracterizando-a, verdadeiramente, de porra-louca.

É como se o Brasil, com toda a complexidade que a cegueira acadêmica dos letrados em Gramsci ou Foucault não alcança, fosse propriedade particular dessa que aqui nomino Esquerda iPhone.

No seu círculo de brancura confortável, impenetrável, autoreferencial, a Esquerda iPhone alimenta-se de certezas, dogmas reativos à menor gota argumentativa contestatória.

Quer dizer, então, que a democracia somente vale se os que estão do nosso lado vencerem a disputa?

Frequento bares e lugares onde jamais encontro ou cruzo com “doutores” que do púlpito em salas de aula, em plateias de shows com ingresso a R$ 200,00 ou salões de conferências, juram que estão a favor “do povo”.

Nesses lugares onde ando – no momento visitados por cabos eleitorais e alguns candidatos que disputam vaga em cargos no poder legislativo federal ou estadual – pessoas comuns, em sua luta pela sobrevivência, cada vez com mais frequência falam abertamente a favor do capitão.

Seriam parvos todos os eleitores de Bolsonaro?

A rigor, nem da direita ele é. Esta conceitualmente abraça o liberalismo. Pode ser um troglodita conservador, fundamentalista religioso, defensor de privilégios de setores corporativos, recentemente convencido ao privatismo.

É preconceituoso, racista e homofóbico. Até aí morreu neves, já que não está sozinho nessa cruzada.

Bolsonaro verbaliza a alma-mater de milhões de brasileiros, essencialmente conservadora e racista. Tanto de esquerda, a mais dissimulada nesse particular, principalmente no tocante ao racismo, quanto de outros espectros sociais.

O candidato nem estrutura partidária possui. Apesar de eleito e reeleito sucessivamente já por sete mandatos para a Câmara dos Representantes em Brasília, nunca exerceu um cargo de gestão.

Tem apenas cinco segundos de tempo para propaganda eleitoral gratuita. Há mais de um ano é alvo de cerrada e vigorosa campanha nacional negativa, processo acentuado nessa reta final da disputa pelo poder.

Bolsonaro lidera sem fazer necessariamente campanha, o que por si é um fenômeno merecedor de análise científica à maneira de Thomas Kuhn.

Restringido a um leito de hospital desde 6 de setembro, quando esfaqueado por militante dito de esquerda (foi filiado ao PSOL) em ato aparentemente solitário, Bolsonaro atrai ódio e fúria de dois tipos de pessoas físicas ou jurídicas.

Uma, a clientela fiel do Partido dos Trabalhadores, essa organização descrita como criminosa em julgamento do STF (Supremo Tribunal Federal) – ação penal 470 (“Mensalão”) e Operação Lava Jato. A qual, se vitorioso nesse outubro, o PT já declarou decidido estrangular.

A outra, os beneficiários ou cúmplices do atual estado de coisas a que o Brasil chegou – herança da gestão Dilma Rousseff que, sorrateiramente, a campanha petista esconde.

Magazine representativo do establishment internacional, a britânica The Economist descreve Bolsonaro como a mais recente ameaça à América Latina

De 1990 a hoje a Presidência da República foi compartilhada apenas pelo centro e pela esquerda.

Personificados em Fernando Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1994), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), Luís Inácio Lula da Silva (2003-2010), Dilma Rousseff (2011-2016) e Michel Temer (2016-2018).

Todos cordeirinhos obedientes aos ditames do Bilderberg Group e similares (Bohemian Club), bilionários titãs das finanças internacionais.

Embora deteste isso, cabe a pergunta: não estaria na hora de o Brasil dar uma oportunidade a um direitista? Como fizeram Portugal, Espanha e Chile, mesmo Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra, em recentes décadas?

Bolsonaro no poder vai destruir “nossas” conquistas e instituições – alarmam-se os bem-nascidos.

Ora, o PT no governo tentou fazê-lo. Quase consegue, mas deu com os burros n’água.

Vez que o Brasil não exatamente é a Venezuela dos “esquerdistas” Chavez e Maduro, ou a Nicarágua dos Noriegas, com os quais flerta nossa Esquerda iPhone, Bolsonaro será motivo de chacota e riso se aventurar tornar-se ditador.

Sua margem de manobra é mínima e arriscada. Terá de negociar, se eleito. Ou seria deposto, talvez preso, por subversão à ordem Constitucional, com apoio da comunidade internacional.

Se errático esse raciocínio, erráticos são as instituições, o “povo” e a chamada sociedade civil brasileira.

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