10% da população mundial, homens e mulheres, são gays e lésbicas. A conta me foi feita pelo cientoativivista Luiz Mott. Se lembro bem, em artigo para jornal em que o coloquei como colaborador – o Província da Bahia. Que por sinal, mais tarde, ele mesmo processou e perdeu.

Se a Terra hoje está com 6 bilhões de almas, faça o cálculo… É homossexual pra dedéu, embora minoria. Sem contabilizar os ou as que não saem do armário, dizia Mott.

Ele mesmo assumido tardio, fundador do lendário GGB – Grupo Gay da Bahia.  Que dirigiu autocraticamente com mão de ferro por mais de duas décadas, passando a coroa, tal monarca suazilandês, a seu ex-parceiro conjugal. Hoje é uma senhora aposentada, gozando as boas coisas da vida, como merece.

O que diria o eclético Gilberto Freyre sobre a rigidez do discurso homolesboafetivo pós-moderno?

O que diria o eclético Gilberto Freyre sobre a rigidez do discurso homolesboafetivo pós-moderno?

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… O homossexualismo militante virou moda e seita nos dias correntes, ao menos no círculo burguês pseudointelecual, onde se entoa o mantra do “respeito à diferença”. Se não moda, ao menos no Brasil se carnavalizou. Como bem poderia afirmar Boris Casoy: “Isso é uma vergonha!”

Diferença, diga-se logo,  de ser igual a mim, gay. Porque a patrulha aos que se afirmam machos ou fêmeas (no sentido do exclusivismo de gosto pelo sexo oposto) beira ao fanatismo al-qaedeano. Embora no mundo islâmico, mesmo em sua versão light, homossexualismo é declarado crime. Punido com chicotadas e até com sentença de morte. Como ocorre, queridos amigos cultuadores de religiões de matrizes africanas, em Nigéria e 34 outros países da Mama África.

Gilberto Freyre (1900-1987), que provou da fruta – explicita isso em algumas das páginas de sua deliciosa memória De Menino a Homem -, concordaria comigo: nesse ambiente de exaltação das ambiguidades, lésbicas e gays estão acuando (uso o verbo propositadamente) os diferentes deles.

A milícia homossexual encontra-se em permanente campanha pela causa. Olhar romântica ou lascivamente para alguém do sexo complementar (substituo o inadequado “oposto”), dirigir um inocente “psiu!”, afirmar a natureza da relação heterossexual como a única que preserva e garante a reprodução da espécie dos seres animados (exceção feita às minhocas e outros organismos exóticos), seriam hoje manifestação da permissividade patriarcal de uma suposta mente doentia masculina a ser denunciada e combatida pela polícia do pensamento.

Depois do advento do Cometa Halley e sua influência no festival Woodstock,  gestos e atos os mais triviais entre machos e fêmeas que instintivamente compõem o jogo pela retransmissão de seus genes na feroz disputa biológica no mundo como ele é, foram transformados em campo de batalha do movimento homossexual. Principalmente a sua faceta, desculpa o palavrão, “queer”.

Não à toa, recentemente li em publicação universitária artigo de uma dessas militantes componente da Cruzada Lésbica, verdadeira religião das que rejeitam relações binárias contrárias, rejeitadas que também são.  No artigo a mau-humorada ferozmente condenava as mulheres que ainda aceitam receber presentes de homens em dias especiais, como o das mulheres. Mulheres que assim se deixam enlevar seriam traidoras da sua “condição” feminina.

A autora falava sério. E assinava como acadêmica em nível de doutoramento, se não já professora – coitados de suas insegura(o)s aluna(o)s submetido(a)s a essa catequese. Opressores, na pena da sujeita, todos aqueles companheiros, namorados e maridos que ousam presentear a sua amada, por galanteio ou gratidão, com flores ou similares objetos romanticamente pérfidos.

A tese agora é que mulheres compreendem mais umas às outras, sabem se tocar, e por isso devem ter a primazia na cama (não diria coito, porque são necessários acessórios), sem participação de parceiros homens. Por seu turno, entre gays as fêmeas… deus nos livre dessas vamps!

Um amigo que se transferiu ano passado para a capital federal, diz-se surpreso com a profusão da militância lésbica em Brasília. Em São Paulo, quando numa roda discuti com uma rapaziada da PUC e da USP sobre o exibicionismo público de adolescentes que se agarram nos transportes coletivos em linguadas e amassos como se em ambiente privado, fui contradito por um grupo de gente que se dizia “de mente aberta”.

Quer dizer, então, que dona Maria, senhora do sertão de Pernambuco, é obrigada a respeitar, dentro do ônibus, a libidinagem das garotinhas “mudernas” da PUC. E essas mesmas garotinhas, por se julgarem superiores à mentalidade bocó de gente que pensa diferente delas, não respeitam o direito de dona Maria? Entendi…

Está óbvio que o cerco, inclusive por estratégias mercadológicas da indústria cultural (moda, programas de TVs como as populares telenovelas da Globo, aparatos diversos), da minoria lésbica e gay ao macho e à fêmea, não incorpora nenhuma generosidade, nenhum sentido humanístico.

É uma luta em causa própria. Sob cerco, o terreno está livre para as investidas dos homossexuais sobre a carne das meninas e meninos, que se convertem aos borbotões à nova seita – como dito por um personagem de romance. Chamar a um debate crítico esse assunto é correr risco de ser tachado de “homofóbico”. É a heterofobia em curso…

Na medida em que coloca na defensiva e mesmo empareda os sujeitos (homens e mulheres) que não comunguem de sua mesma cartilha ideológica, a minoria conquista seu harém, ganhando a guerra. Um outro amigo que já se deixa confundir por esse diversionismo pós-moderno me diz que “a culpa é do macho, que precisa se reinventar”. Ele certamente nada leu da feminista de primeira linha Camille Paglia.

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