Exatamente um mês depois de ter saído preso da sede do PT*, dentro de um camburão da PM convocada pela direção do partido agora com réus do mensalão sendo julgados pelo STF, a mesa dirigente da Câmara Municipal de Salvador registrava queixa-crime na 13ª Delegacia de Polícia contra este escrevinhador, apontado como principal responsável pelo quebra-quebra ocorrido na principal casa de representantes do povo da capital baiana.

Orientada pelo prefeito (adivinhe quem?), a bancada de vereadores acabara de aprovar por rolo compressor um projeto de Mário Kertész extremamente vantajoso para uma empreiteira, a Ecomati. Tratou-se de trocar a grande área de terrenos públicos em torno do rio Camurujipe entre os nobres bairros de Costa Azul/Stiep/Magalhães Neto, por uma outra área da empreiteira no periférico bairro do Beirú (ou Tancredo Neves).

Pressionados por interesses do prefeito e das empresas imobiliárias, com respaldo do advogado Saul Quadros, amigo e então procurador-geral do município nomeado por Kertész, os vereadores desrespeitaram até mesmo uma ordem judicial de suspensão da votação. A Ecomati recebeu outros benefícios imobiliários municipais.

Desde o início da tarde, em torno de 200 moradores de diversas favelas, entre os quais habitantes da área nobre de especulação imobiliária, protestavam no plenário da Câmara de Vereadores, exigindo a rejeição da negociata. Os vereadores convocaram a Polícia Militar, que se juntou aos seguranças da Câmara para, imediatamente depois da aprovação por volta das 22h, covardemente espancarem os favelados.

Foi um momento triste da história recente do fim das práticas e costumes do regime militar em Salvador. De um lado, o poder governamental do prefeito de plantão e de vereadores macomunado com o poder das empreiteiras – doadoras de dinheiro e financiadoras de campanhas políticas. Do outro, a luta da gente marginalizada por uma cidade menos desigual.

Você pode ler o registro desse episódio clicando nos links a seguir:

I) manchete principal de capa e II) matéria da editoria de política do jornal Tribuna da Bahia. Então influente e sob o domínio de grupos alinhados com o prefeito de Salvador, a Tribiuna criminaliza o movimento de favelados, defende a ação dos vereadores e o massacre perpetrado pelos seguranças e pela polícia. Uma grávida abortou por conta dos chutes que levou na barriga, outros favelados aquela noite foram socorridos clandestinamente em emergências de hospitais, mas isso os jornais não noticiaram. III) Matéria da editoria de política do jornal A Tarde.

  • (*) Leia o noticiário sobre o episódio da expulsão do PT nos próximos dias, aqui mesmo neste site.
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