NO TOCANTE às altas taxas brasileiras de homicídios (mais de 30 por 100 mil), o enfrentamento requer estratégias plurifocais de médio e longo prazos.

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Cogito, neste momento de transição de governo no Brasil, da existência de dois setores, dois estamentos, extremamente preocupados com a ascensão de Jair Bolsonaro ao comando da República.

Um é o establishment, digamos, cultural: aparatos acadêmico-universitários, empresariais associados às tetas do Estado, agentes midiáticos (principalmente a chamada grande mídia), oligarcas de siglas partidárias, corporações sindicais e assemelhadas. O mundinho das performances artísticas.

Toda a clientela dependente do estado de coisas em que se encontrava o país até antes da vitória nas urnas do ex-capitão do Exército.

O crime organizado é outro estamento desgostoso com a eleição de Bolsonaro.

Tão influente quanto o conjunto do primeiro, o crime organizado – seja de colarinho branco, seja das quadrilhas do tráfico de drogas, armas etc., deve ter se abalado.

O medo abertamente propagado por um não é diferente do outro, que age nos subterrâneos.

Neste momento ambos buscam fissuras no aparato estatal oriundo do estado nacional “moderno” fundado por Getúlio Vargas (1930-45/1951-54) que lhes permitam adaptar-se às novas circunstâncias vislumbradas para a partir de 1º de janeiro de 2019.

É preciso que o novo governo se comprometa, desde o primeiro dia, a cortar-lhes o oxigênio.

Quando candidato à Presidência, Brizola enfatizou o ensino

À maneira de Leonel Brizola (1922-2004), o enfrentamento das altas taxas de homicídio no Brasil passa necessária e obrigatoriamente por uma política de investimento contínuo, permanente – para além de um ou dois mandatos governamentais – na educação básica, pública e de qualidade, voltada para os estratos sociais empobrecidos.

Uma boa escola, alguns de tempo integral, com professores estimulados por bons salários e ambiente criativo de trabalho, é a porta de entrada contra o recrutamento feito pelo crime organizado de crianças, jovens e adolescentes nessas comunidades carentes de serviços públicos.

É aí que as quadrilhas recrutam o seu exército de reserva de mão de obra.

Acrescente-se ao primeiro e ao segundo níveis de enfrentamento do fenômeno – mais de 60 mil homicídios por ano na recente década -, a discussão sobre taxas de natalidade no país.

Com protagonismo do novo governo, a sociedade precisaria abrir o debate a respeito da relação direta entre paternidade responsável e políticas de assistência social, especificamente a distribuição de Bolsa Família.

Emulando Jonatah Swift, este escrevinhador faz a modesta proposta de cortar o acesso à bolsa família a genitores que, sem responsabilidade, queiram ter mais de dois ou mesmo um filho sem condições materiais de criação.

O escritor irlandês Jonathan Swift, que propôs comer os bebês das famílias pobres como solução para a fome e a miséria no séc. XVIII

A esquerda quando tomou o poder na China, hoje gloriosa, aplicou a política de restrição à natalidade. No fim, parece que deu bons resultados.

Seria o caso de, paralelamente às frentes de ataque ao crime organizado, atenção de médio e longo prazos à educação básica pública, rever se os benefícios do Bolsa Família têm mesmo nos beneficiado.

Ou prejudicado tanto as famílias receptoras quanto toda a sociedade.


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