Jornalista Vania Dias, da estatal TV-E, divide a mesa de debates “Branquitude e Televisão/Racistas São os Outros”

NESTA SEXTA-FEIRA, 27 de julho 2018, em debate aberto ao público em Salvador,  no auditório do Ceao (Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA), veremos se ainda vale  para esta segunda década do século XXI o escrito pelo professor Muniz Sodré em 1995.

Em mesa redonda com participação da jornalista e feminista negra Vania Dias, apresentadora da TV-E, de Lázaro Cunha, diretor-geral da Fapesb (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia), e da historiadora Ana Gualberto, que trabalha com mulheres quilombolas do baixo-sul baiano, serão lançados os seguintes livros:

  1. Racistas São os Outros – contribuição ao debate lusotropicalista em África, Brasil e Portugal (Afirme-se Editora, R$ 30,00), fruto de parceria do Poscultura-UFBA e a pós-graduação em Migrações e Globalização da Universidade Nova de Lisboa; e
  2. Branquitude e Televisão – a nova África (?) na TV pública (Gramma Editora), de Richard Santos, professor na Universidade Federal do Sul da Bahia, conhecido por Big Richard no universo do movimento hip pop, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, seu Estado natal.

Disse Sodré: negros no Brasil, mulheres, homens ou crianças, que formam considerável universo demográfico (somados pretos e mestiços de pretos ultrapassam 51% da população total), são o Vampiro ante o espelho que é a televisão brasileira.

Sua imagem, a do negro, não se reflete na tela. Quando reflete – dizia eu -, se reflete, obedece em geral aos princípios dos “Três Ls”, definidos pelo escrevinhador destas mal-traçadas em capítulo de livro organizado por Kabengele Munanga em 1996.

Lúgubre, lúdico e luxurioso: é como a mídia no país da democracia racial retrata o(a) negro(a).

No noticiário que envolve violência e criminalidade. Descabelado, olhos cabisbaixos ou arregalados, dorso exposto, drogado, bêbado, um morto-vivo, assassinado ou assassino: eis a lugubridade encarnada nas páginas impressas ou em vídeo, hoje potencializada pela internet.

De dentes arreganhados, sorridente, apalhaçado. A meio caminho entre criancice e demência, em êxtase de “artista”/esportista/malandro, a personagem “mussum” que se repete na ludicidade de um timbalístico “Mister Brau” (Lázaro Ramos).

A luxúria lhe é imposta, lhe retira a humanidade, tornando o negro ou a negra apenas genitálias: peito, bunda, vagina e pica. Para satisfação, tara e fobias de voyeur de todos os gêneros.

Hétero ou homo, o(a) negro(a) é mero objeto da luxúria. Da perversão de si e de outrem.

NO EVENTO deste 27/07, de graça, o público terá oportunidade de debater com ativistas e pesquisadores tais questões. Que compõem o trabalho crítico de Richard Santos em sua pesquisa que toma como objeto o programa “Nova África”, exibido pela estatal TV Brasil.

Já Racistas São os Outros reúne textos de dez autores africanos, portugueses e brasileiros.

A partir de um escopo multidisciplinar, analisa a difundida noção de ter sido a colonização portuguesa menos cruel que outras.

Na crença de que tanto em Portugal, como em suas ex-colônias tropicais – por óbvio, o Brasil e suas instituições de mando e influência, mídia inclusa – não se cultiva o racismo. Isso é coisa de fora.

 

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