Dorme ali uma criança

Entre tantas

que não podem em paz

A essa hora dormir:

A insanidade adulta

De senhores dos destinos,

– nossos urros, desatinos –

Nós e o umbigo lhes sangramos

À força a infância.

Dorme, criança

E ao acordares sei

dos teus olhos

– presente do sol –

Penetrando lá dentro

Minh´alma, ora doída.

Ali dorme uma criança:

Mel. Tão mel…

Ao fazer-me covarde

restitui-me a coragem,

no hoje da vida.

Existência de gritos, alarde,

louca, sem quê: desabrida…

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