Cunha: anematizado personagem de um poder da República

Cunha: anematizado personagem de um poder da República

A SEXTA, sétima ou oitava economia do mundo, isto é, o país rico que é o Brasil, sobreviverá à quebradeira fruto da má-gestão do governo de Dilma Rousseff (PT) e sua exótica base aliada, que inclui picaretas como Defim Neto, Maluf, Fernando Collor, Sarney, Renan Calheiros…

País rico é modo de dizer, potencialmente rico seria mais adequado. Vez que as desigualdades sociais por aqui são pornográficas, não dá para ser feliz.

Sairemos dessa, outra vez. Mas até lá – as expectativas otimistas apontam para daqui a dois, três anos – muita gente viverá no aperto, no sufoco.

Pior de tudo é a exposição à chamada espiral da violência. Que engolfa todos, exatamente todos os brasileiros. Os brasileiros normais, bem entendido.

O 1% dos brasileiros bilionários – o ex-presidente Lula está perto disso -, para esses e suas famílias a vida continuará cor de rosa, não sejam os vícios.

A arraia miúda, essa esmagadora maioria de ruminantes como este escrevinhador, vai se virar como pode.

Muita gente sucumbirá, de uma forma ou de outra. De morte morrida e morte matada. Namoros e casamentos desfeitos, ou que nem se realizarão, é o que se verá.

Mais: até chegar 2018 brasileiros coadjuvantes, conviveremos com o teatro das marionetes que atuam na arena das humanas instituições políticas.

PELOS INDÍCIOS DE PROVAS divulgados pelo Ministério Público Federal, já seria carta fora do baralho Eduardo Cunha (PMDB), o homem que constitucionalmente sucede Dilma Rousseff e o vice Michel Temer na Presidência da República do Brasil.

Revela-se, com documentos remetidos pelas autoridades da Suíça, os milhões de dólares em seu nome depositados em contas bancárias secretas, dinheiro de propinas obtidas junto a empreiteiras brasileiras de negócios escusos com a Petrobras.[clique aqui para entender a Operação Lava Jato]

petrolão

O criador e a cria

Parece que o PT de Lula, responsável pela barafunda, quer um acordo com Cunha, mantendo-o na Câmara dos Deputados. Desde que salve o mandato de Rousseff, ameaçado por um impeachment que depende dele, Cunha, para ir em frente.

Suportando o debate, os interesses do mercado financeiro, dos agentes do grande capital que movimenta o mundo.

Porque o Brasil não é um mero acidente geográfico, ninguém vai deixar que ele se afunde. Ainda que sua patuleia, sim.

Nessa fase do enredo, Eduardo Cunha desempenha desenvolto um protagonismo digno de aplausos, como presidente de um dos três poderes instituintes da República.

O ator, como indivíduo, pode ser um crápula – isso a Operação Lava Jato aponta. Embora diga o contrário a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que supostamente investigou os descalabros que vitimou a Petrobras (PT e PMDB no comando).

Porém o que importa, para nós da assistência, é o brilhantismo da personagem colocada pelo voto da maioria à frente do Legislativo na Câmara dos Deputados em Brasília.

CONTRAPESO: este, o segredo das “boas” práticas do sistema republicano. A afirmação da soberania, da autonomia, da independência perante os demais, de cada um dos poderes que constitui esse sistema.

É assim que funciona nas democracias consolidadas – e o exemplo mais cristalino são os Estados Unidos da América (U.S.), aquele país mesmo retratado em House of Cards. Não há santos no palco da política. Nem moral do senso comum.

Frank Underwood, personagem de Kevin Spacey na série televisiva House of Cards

Frank Underwood, personagem de Kevin Spacey na série televisiva House of Cards

Um chefe do mais poderoso poder executivo do planeta, a exemplo de Barack Obama, tem os seus projetos, por mais nobres que sejam, submetidos ao ferrenho escrutínio da liderança da Casa dos Representantes (como ali a Constituição dos U.S. designa a Câmara dos Deputados federais).

O presidente da República, portanto, não pode tudo – e, por vezes, como no caso de Dilma Rousseff, pode muito pouco. Pela simples razão de serem monocráticos os seus atos.

EDUARDO COSENTINO DA CUNHA que, pelo volume das acusações a si impingidas, já deveria estar atrás das grades, veio para resgatar a importância que deve ter o Legislativo numa democracia que se quer fortalecida. Propósito que parece também ser de uma parcela de atores do Poder Judiciário, no momento encarnada pelo juiz federal Sérgio Moro.

Se as falcatruas que andou cometendo forem suficientes para o derrubar, que beleza!

Mas fique explícito: a queda de Eduardo Cunha, se interessa ao Palácio do Planalto, desserve não somente a oposição.

Sérgio Moro, o juiz federal da Lava Jato

Sérgio Moro, o juiz da Lava Jato

Diga-se o que se quiser dele (ou de você, ou de mim). Possivelmente em parte o que se disser terá grande chance de ser verdade. Outra parte é o enredo das intrigas, das frustrações, dos ciúmes e das invejas.

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