NA BAHIA LÍDICE DA MATA do PSB é o melhor nome para governar o Estado a partir de 2015. Nada mais oportuno para um território cujo nome é um substantivo feminino de lugar.

Lídice: uma mulher no comando de um Estado patriarcal?

Lídice: uma mulher no comando de um Estado patriarcal?

Sua vitória, apesar de difícil, é plausível. Veremos isso quando começarem os debates e o horário eleitoral. Ainda que o rolo compressor e a máquina de dinheiro montados no gabinete do governador Jacques Wagner – de pressões, ameaças e venalidades sobre lideranças políticas dos 417 municípios baianos -, farão da disputa um jogo bruto.

Não se surpreendam os incautos: se Lídice conseguir passar para o segundo turno nessas eleições de outubro, superando o candidato “picolé de chuchu” (apud José Simão) que é Rui Costa do PT, numa disputa cara a cara essa sertaneja é mais macho que Paulo Souto do DEM e sua trupe em nada amadorística.

Mais macho, ou macha, não no sentido porco-chauvinista. Quero dizer é que Lídice tem mais tutano que qualquer um desses dois fantoches – que, em verdade, são duas bonecas deslumbradas com a perspectiva de continuar mandando no latifúndio em que PT, este com o PR de João Leão, e DEM, este com o PMDB de Geddel Vieira Lima, transformaram a Bahia.

Essa dama é boa de voto, tem torque de arrancada na corrida eleitoral. Já deu provas disso quando eleita presidente do DCE da UFBA (nos seus tempos de PCdoB), eleita vereadora de Salvador, deputada e – de forma inédita e surpreende na história política do Estado de elites retrógradas e machistas como o nosso – prefeita da capital e senadora da República.

Sua atenção redobrada agora é com os dez maiores colégios eleitorais no Estado. O povo de Salvador deveria tomar a si a responsabilidade de catapultar a vitória de Lídice.

Lídice está em chapa “puro sangue”, tendo um vice do interior e uma candidata ao senado, Eliana Calmon, cujas credenciais honraria o Senado de qualquer país moderno. Em vaga atualmente ocupada por João Durval Carneiro (quem?!) às expensas de Olívia Santana, golpeada na última disputa por seu PCdoB, que baixou as calças, como tem sido do seu feitio, ao PT.

Eliana Calmon, que à frente da Corregedoria do Conselho Nacional da Justiça, não temeu os "bandidos de toga"

Eliana Calmon, que à frente da Corregedoria do Conselho Nacional da Justiça, não temeu os “bandidos de toga”

Seria um horror, aliás, uma eventual vitória eleitoral da chapa imposta pelo governador Jacques Wagner (PT) aos eleitores baianos.

Rui Costa, um catecúmeno, não possui credencial alguma de gestão: seria um desastre permitir que um fantoche como ele tivesse a caneta de governador. É, como dizem os ingleses, “male, pale and stale“, um verme do Partido dos Trabalhadores na Bahia, carreirista que ascendeu às instâncias palacianas fazendo sombra e carregando a pasta do seu líder-mor.

Pior, se por alguma razão – somos mortais, expostos às intempéries da vida – Rui Costa viesse a ser substituído por seu vice, João Leão – meu Deus do céu! Os baianos terão de segurar firme suas carteiras de dinheiro. O Tribunal de Contas do Estado, que anda muito silente, tem hoje algo a dizer sobre a farra com o dinheiro público feita por Leão no período em que Wagner lhe entregou as chaves da Secretaria de Infraestrura?

E o Tribunal de Contas dos Municípios, quando Leão foi gestor sob o ex-prefeito da capital João Henrique, este às voltas com a Justiça por contas rejeitadas? E quando também foi prefeito e coronel do município de Lauro de Freitas – depois derrotado por outra mulher da estirpe de Lídice, Moema Gramacho (PT) que, por fim e por tudo, está hoje enquadrada sob o tacão autoritário de Jacques Wagner?

Falta jornalismo na Bahia para esclarecer ao eleitor os contextos e as circunstâncias que trouxeram essa gente que escarafuncha o poder no Estado há décadas, tal urubus na carniça.

Daí a fraqueza de um texto adjetivado como este que você, leitor, está lendo. Seria da responsabilidade de profissionais repórteres bem pagos investigar e reportar. Isso se os donos dos jornais baianos fossem menos… eu ia escrever covardes… interesseiros.

Otto Alencar (atual vice-governador e candidato ao senado), com quem convivi em pessoa nos meus tempos de iniciante em marketing político na Propeg (ele vice na chapa à prefeitura encabeçada por Edvaldo Brito, PTB), como pode um mentecapto duas décadas depois ser alçado a pajé de tribo?

Embora, convenhamos, tribo composta não apenas por Otto e João Leão. Outros próceres do atraso político, mantidos pelo PT de Wagner no loteamento que fez nos organismos governamentais, se lambuzam às custas do erário. Não, não estou falando de Marcos Medrado (SDD), coronel do subúrbio ferroviário da capital.

O raquitismo do jornalismo político na Bahia é o reflexo direto da falta de saúde financeira das empresas de comunicação no Estado, algumas das quais – como a que edita a Tribuna da Bahia – não passam de quitandas. Ou de balcão de negócios, como a da família Kertèsz (Metrópole).

Lídice: cuidado com esse abraço de tamanduá (foto/fonte: http://www.ubatanoticias.com.br)

Lídice: cuidado com esse abraço de tamanduá (foto/fonte: http://www.ubatanoticias.com.br)

É isso o que inibe o debate de esclarecimento do eleitor no Estado. Este pouco se informa sobre a oligarquia dos Vieiras Lima (PMDB). Ou das tramas empresariais do vice de Paulo Souto, Joaci Góes, do PSDB do ex-prefeito Antonio Imbassahy e Jutahy, este pimpolho neto de outra oligarquia, a dos Juracy Magalhães.

Lídice é melhor por ser mais democrática. Por não ter, até onde se saiba, amarras com as velhas ou novas oligarquias. Sua vitória vai favorecer o aprofundamento organizado da participação popular no governo – negros, mulheres, indígenas. Vai ser boa para o debate intelectual, que sumiu dessas paragens antes de aqui fazer pouso.

Não nos iludamos. Os candidatos machos e suas coligações são cachorros grandes. Menos grandes e mais cachorros. Sou mais uma vira-latas, honesta e não amestrada.

 

 

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