Um feriado nacional de 15 de novembro como outro qualquer? Não este de 2013, graças a um neto de mãos limpas de africanos escravizados

O corajoso homem que pôs fim à idéia de que a justiça é só para os três "pps" citados lá embaixo

O corajoso homem que pôs fim à idéia de que a justiça é só para os três “pps” citados lá embaixo

Nenhum sentimento de vingança ou vindita. Trata-se de um passo, importantíssimo passo, para que o país passe a acreditar na equidade de direitos, na isonomia de tratamento entre os condenados de crimes – independentemente do seu poder econômico, sua cor da pele, sua origem ou seu sobrenome.

O Brasil, isto é, a República decretada em 15/11/1889 por seguidores do francês Auguste Comte (um ano depois da lei que extinguiu a estrutura econômica escravocrata que vigia desde 1534), amanhece melhor desde seu feriado de 15 de novembro de 2013.

Começou a prisão para cumprimento de pena dos condenados no mais escandaloso esquema de apropriação indébita de dinheiro público para um projeto de poder. Todos, representantes da elite de políticos, empresários e da “nova classe” que, como analisa o cientista político Francisco de Oliveira, chegaram ao poder com a eleição em 2002 do ex-sindicalista Luís Inácio Lula da Silva.

De acordo com seu clássico Crítica à razão dualista/O Ornitorrinco, essa elite sindical, seus mentores e beneficiários, como José Dirceu – o “chefe da quadrilha” -, desde então se tornaram donos e sócios do poder. A partir da instrumentalização da classe trabalhadora e da ocupação de instrumentos valiosos na contemporânea etapa de (sub)desenvolvimento do capitalismo – fundos de pensões estatais e privados, BNDES etc, hoje entre os maiores investidores do mercado.

Representantes da nova classe de Onirtorrincos aliando à velha raposa no galinheiro desta

Representantes da nova classe de Ornitorrincos aliando-se ano passado à velha raposa direitista no galinheiro desta

Banqueiros, líderes partidários, empresários e ex-guerrilheiros como José Genoino e demais – todos condenados, depois de seis anos de processo em que tiveram amplas oportunidades de defesa e manobras protelatórias – vão presos.

Delúbio Soares, ex-tesoureiro da Central Única dos Trabalhadores e operador no esquema do PT presidido por Genoino, é exemplo lapidar na tese de Oliveira. Em seu aniversário ao final de 2002, depois de Lula eleito, foram registrados entre 18 e 20 jatinhos posando em uma de suas fazendas no interior de Goiás para parabenizar o “capa”, hoje na cadeia. E Lula nada viu ou sabia…

Condenados por ameaças terríveis ao processo de fortalecimento do sistema republicano democrático, em compra de votos no Congresso. Parte considerável deles, inclusive Dirceu e Genoíno, nada amantes da democracia. Vez que seu modelo de regime, pelo qual foram à luta contra a abominável ditadura militar (1964-1985), permanece o da ditadura de Fidel Castro et caterva.

Sarney, Fernando Collor, Paulo Maluf, Renan Calheiros, Roberto Jefferson (a quem Lula declarou seu amor, antes da denúncia do mensalão, afirmando que a ele confiaria cheque em branco) e a elite financeira beneficiada do condomínio montado por essa nova classe, que se acautelem.

A prisão dos colarinhos brancos é uma nova fase do sistema republicano na América Latina. Em um país cujos tentáculos da lei, até ontem, alcançavam apenas três Ps: preto, pobre e prostituta.

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