[24/05/2012 07:33:52] Fabio Pimentel Victor: oi, fernando, podemos falar aqui no chat? tô em casa ainda e meu microfone tá ruim…

[24/05/2012 07:35:18] fernando: estou aqui

Fabio Pimentel Victor: na “nota a imprensa” (assim mesmo, sem a crase) divulgada pela sc cultura, estão os “motivos” do envio do processo à procuradoria, os trechos falando do verger, do wally e da diretora do museu de arte da bahia. aquilo lá é o que fernando conceição acha destas 3 figuras?

fernando: Desconfio que as razões verdadeiras do recuo da Secult sejam outro[a]s, relacionado[a]s ao tema mesmo do romance – a disputa pelo poder político na Bahia e as relações sócio-racias que permeiam a nossa hostória. Quanto aos trechos pinçados pela Secult, issoé uma falácia. Não sou eu quem penso o que ali se diz nesses trechos, que são uma invenção, são o que dizem personagens ficcionais sobre essas pessoas citadas.

Fabio Pimentel Victor: então eu te pergunto: o que vc acha do trabalho do pierre verger e da forma como ele se aproximou da cultura baiana e dos rituais religiosos do estado?

fernando: Para mim há vários Pirre Verger e eu gosto e desgosto de uns e de outros. Adoto alguns dos seus trabalhos em minhas aulas de pós-graduação, a exemplo de “Fluxo e Refluxo”, pela descrição minuciosa que faz das transações do tráfico negreiro. Condeno a sua estética fotográfica que cria uma plasticidade da miséria que, para mim, reforça estereótipos negativos do povo negro da Bahia e nada contribui para denunciar a pornográfica condição social desse povo – até os dias de hoje.

Fabio Pimentel Victor: soube que vc tem divergências antigas com o secretário albino rubim (parece-me que atuam no mesmo departamento da ufb, não?). seria esse o verdadeiro motivo do episódio?

fernando: Nada disso. Não frequentamos a mesma cozinha, mas somos “cordiais” – aquela cordialidade descrita por Sérgio Buarque de Holanda. Mas é assim não apenas com ele, mas com outros vestais da inteligentzia (corrija a grafia) da província que é Salvador.

Fabio Pimentel Victor: como analisa o argumento da secult de que aqueles trechos poderiam motivar processos judiciais contra o patrocinador do livro?

fernando: O patrocinador tinha de ver isso lá atrás, na fase de análise que resultou na seleção e aprovação do meu livro. Não agora, depois que os trechos foram tornados públicos, às vésperas da publicação. É um argumento de lesa-pátria, porque se confirmado, visaria criar justificativas ridículas para o campo da cultura, e deixar de pagar o que me deve.

Fabio Pimentel Victor: enfim, vc considera que se trata da velha censura prévia mesmo, é isso?

fernando: Pense num absurdo… Na Bahia já houve um precedente. A frase não é original mas se encaixa nesse episódio. É censura prévia, sim, mas agora o livro já está nas ruas, vendendo e circulando. Se os processos judiciais vierem, isso é o Brasl.

fernando: (Fabio, tenho de dar o fora agora para participar de uma mesa de debates sobre ativismo acadêmico no nosso país. Estareinovamente online depois das 17h daí).

Fabio Pimentel Victor: além da questão maior (liberdade de expressão etc), há outra, prática: caso a procuradoria dê parecer contrário, vc não receberá a verba do edital, é isso? uma vez que o livro já está pronto, o que isso mudaria (vc bancou de teu bolso, ou com a verba daquele outro edital?)

fernando: Estou negociando com o editor, Rosel Soares, como cobrir os prejuízos financeiros se acaso a Secult me der o calote – o que é muito feio para Albino Rubim.

[24/05/2012 08:03:05] Fabio Pimentel Victor: ok, só uma última, rápida: em que pé está a tua biografia do milton santos? há uma previsão de quando será publicada (e por qual editora)? se prefirir, me responde mais tarde por email, por favor.

[24/05/2012 08:06:30] fernando: Estou neste momento em campo para cumprir mais uma etapa da pesquisa sobre a vida de Milton Santos. Recebi em janeiro um patrocínio da Petrobras de R$ 500 mil para completar a coleta de dados, escrever e publicar até o final de 2013 a biografia autorizada com 6.000 exemplares. Dos Estados Unidos vou ao Japão, depois a países europeus e da África nos quais ele trabalhou ou influenciou. Enquanto isso, uma equipe de bolsistas está no Brasil, principalmente em São Paulo, também colhendo dados. Ainda não tenho editora, mas estou aberto a conversações. Trata-se de um dos mais importantes intelectuais do mundo, sua trajetória merece ser difundida no Brasil.

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