ANDRÉ SETARO (1949-2014), querido e antigo professor da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBA, dos mais importantes críticos de cinema das recentes três décadas, me apareceu em sonho dia desses.

Bem-humorado, fez-me um apelo. Que me candidate outra vez a diretor da Facom. No sonho mantinha o ar blasé, sarcástico. Ou seja, não sei se falava a sério ou se irônico.

Recordemos nossa proximidade. Quando o quadro “Arquivo Confidencial” com Wagner Moura, hoje premiadíssimo ator de cinema e da TV Globo, mas que fez jornalismo, veio à Facom colher depoimentos, foi a Setaro e a este escrevinhador que resolveu ouvir entre os mais de 30 professores. Veja.

O decano e ilustre professor André Setaro, ao lado deste seu discípulo, Sueide Kintê, Paul Regnier e outros apoiadores, quando da inscrição da candidatura em 2013 [clique]

Com tantas coisas mais prementes na presente conjuntura – afinal, como sempre historicamente, os destinos do país estão por um fio, graças aos problemas político-econômicos resultantes do desatino dos vagabundos que nos representam em Brasília – vem o doce Setaro me provocar.

Daqui a poucas semanas a congregação, instância da Facom completamente sob o controle do grupo de mando que aí viceja praticamente incontestável, envia ao Reitor João Carlos Salles Filho da UFBA, uma lista com três nomes. Para que esse escolha quem assume como diretor da faculdade a partir de setembro.

Ao lado de Setaro disputei em 2013 como oposição àquele grupo a vaga. Armaram uma consulta para que estudantes, professores e técnicos-administrativos da casa, pelo voto, manifestassem sua opção.

Com toda a máquina, poder, controle e difamação do adversário utilizados a favor de sua candidata, o sultanato faconiano, apurado o resultado, colheu apenas 60% dos votos válidos.

Este outsider obteve 40%. Graças ao voto estudantil da graduação (não me foi franqueado acesso à lista de alunos do programa de Pós-Graduação, o Poscom deles).

A congregação então se reuniu para elaborar a lista tríplice à Reitoria. Excluído, sem pudor, o nome do segundo colocado na consulta.

Consulta essa que, a pretexto de auscultar democraticamente estudantes, docentes e técnicos, daquela forma foi totalmente desqualificada. Os 40% dos votos, dados pela maioria dos alunos, mandados às favas!

Fui banido da lista, não sem protestos formais, pelo “golpe” congregacional. Muito similar ao que teria vitimado – segundo o entendimento deles próprios – Dilma Rousseff, com o impeachment imposto pelo Congresso Nacional ano passado. Com base nas regras, leis e normas.

Nas presentes semanas, enquanto se decide o destino do  Michel Temer, da República, de Donald Trump e da Via Láctea, estão os sultões aqui numa faculdade de província cuidando do seu cercadinho…

Concorro e referendo o teatro da consulta, ou não?

 

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