tukum3

Roda de conversa com índios tupinambá da Retomada Tukum, sob liderança do cacique Ramon, em foto de Haroldo Abrantes da F2J de 13/10/2016

APROVEITANDO O FERIADO de 12 de outubro no Brasil, desafiei um grupo de trinta e uma pessoas a sair da “caixinha” e do conforto acadêmicos. Para visitarmos comunidades quilombolas e indígenas do sul e do baixo-sul do Estado da Bahia, visando entender sua causa e sua luta em conflito com os poderes de mando.

Foram cinco dias e quatro noites, partindo de Salvador. Percorridos em torno de 1.000 quilômetros, seja em carroceria de caminhão “pau-de-arara”, seja em transporte alternativo (em razão das péssimas condições das estradas de barro esburacadas).

De Salvador ao sul e baixo-sul baianos: Ilhéus-Olivença, Camamu, Wenceslau Guimarães e de volta a Salvador na tarde de 16/10

De Salvador ao sul e baixo-sul baianos: Ilhéus-Olivença, Camamu, Wenceslau Guimarães e de volta a Salvador na tarde de 16/10

Aceitaram o desafio 29 alunas e alunos das disciplinas que ministro no Poscult (Pós-Graduação em Cultura e Sociedade) e na Facom (Faculdade de Comunicação) da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Assim como estudantes de Jornalismo e Propaganda da Fundação Faculdade 2 de Julho (F2J), tradicional instituição de ensino de Salvador.

Grupo de alunas, alunos, professores e técnicos posa frente ao ônibus oficial da UFBA na manhã de 12/10 para início do périplo, sob coordenação deste escrevinhador

Grupo de alunas, alunos, professores e técnicos posa frente ao ônibus oficial da UFBA na manhã de 12/10 para início do périplo, sob coordenação deste escrevinhador

O evento soma-se aos esforços de pesquisa do Grupo de Estudos em Mídia e Etnicidades da UFBA (www.etnomidia.ufba.br)

O evento soma-se aos esforços de pesquisa do Grupo de Estudos em Mídia e Etnicidades da UFBA-CNPq (www.etnomidia.ufba.br)

Melhor: deu tudo certo. As expectativas das comunidades visitadas e dos estudantes, no sentido de colaboração universitária e a população externa, foram satisfeitas. Cuida-se agora, como pode ser visto em produtos como o facebook da viagem, em repercutir a experiência, em benefício daquela gente.

A atividade de parceria contou com o apoio também da direção do sindicato dos técnicos-administrativos da UFBA (Assufba). Através disso, foi possível visitar a Fazenda Tukum, retomada pelos índios tupinambá na zona rural do município Olivença.

Duas estudantes de Mestrado do Poscult, que escolheram este escrevinhador para orientá-las, tiveram papel fundamental.

Seus projetos de pesquisa dizem respeito ao papel das mulheres na afirmação da identidade e da cultura nos quilombos Barroso, da zona rural do município Camamu, e Nova Esperança, nos ermos rurais do município Wenceslau Guimarães.

  • (Abaixo, galeria de imagens da ida ao Quilombo do Barroso, nos rincões da mata de Camamu, feitas pela equipe da atividade de extensão universitária a 14/10).

Este slideshow necessita de JavaScript.

A ideia da atividade foi desenvolvida no semestre letivo em vigor, por três meses. Seu objetivo: apresentar aos estudantes e técnicos a realidade indígeno-quilombola, visando o registro daquele cotidiano para repercussão em diversas plataformas midiáticas.

Partiu da adesão de uma turma de graduação da disciplina Comunicação e Atualidade I, sob a responsabilidade deste proponente.

Uma das diversas reuniões preparatórias da atividade, realizadas na Facom/UFBA

Uma das diversas reuniões preparatórias da atividade, realizadas na Facom/UFBA

Partindo de Salvador, o ônibus oficial da UFBA depois de quase dez horas de viagem chegou no início da noite de 12 de outubro em Ilhéus, importante pólo econômico-cultural do Estado, onde o grupo pernoitou.

Na manhã seguinte seguiu à zona rural de Olivença. Ali, sob a liderança do cacique tupinambá Ramon, atravessando a pé matas e riacho, tomou contato com a causa indígena, expressa na retomada da aldeia.

Foi servido um almoço preparado pela comunidade, após um banho de rio e uma roda de conversa num carramanchão da tribo.

Dali, seguiu-se para pernoite na sede de Camamu. De manhã o ônibus deixou a turma no distrito chamado Orojó, de onde partiu um “pau-de-arara” para adentrar zona da mata até o distante quilombo do Barroso.

A comunidade reuniu-se para contar a história do quilombo – tradicional espaço geográfico e simbólico de ex-africanos escravizados e seus descendentes – e os problemas enfrentados até os dias de hoje. Ali também foi feito o repasto, aliás, excelente e sortido!

  • (Abaixo, galeria do território indígena tupinambá, retomada da Fazenda Tukum, zona rural de Olivença, com imagens de Haroldo Abrantes, 13/10/2016)

    Este slideshow necessita de JavaScript.

Passo seguinte, regressar para seguir até um entroncamento de Wenceslau Guimarães. Onde negociou-se um micro-ônibus em condições de se meter nas difíceis veredas de chão-batido, por mais de duas horas, até o longínquo quilombo Nova Esperança.

Um local afastado do mundo, no meio de mata atlântica suntuosa e deslumbrante. Cortado por um riacho com várias quedas d´água e cachoeiras. Onde a equipe ficou por duas noites, dormindo todo mundo junto e misturado em casas dos moradores, e aproveitou bastante até o retorno no domingo, 16.

  • (Abaixo, imagens do território quilombola Nova Esperança, nos ermos das matas do município de Wenceslau Guimarães)

Este slideshow necessita de JavaScript.

Um vale cercado por montanhas altas e grande produção de cacau, de banana e graviola: eis o quilombo Nova Esperança.

Cuja população estava ávida de falar dos problemas que enfenta. Mas também, acolhedora por duas noites, fazer festa, cantar e sambar integrando a turma de estudantes plenamente ao seu modo de vida.

Anúncios