‘Eu quero que tenha o impeachment de Dilma!’

PRIMEIRO FOI O JORNALISTA Rodrigo Meneses, do jornal Massa!, na edição de 10 de fevereiro. Agora é o jornalista Pablo Reis, em seu blog.

Ambos produzem matérias jornalísticas de Jornalismo com “J” maiúsculo. Seus textos desmascaram por completo a versão plantada pelo poderoso aparato de comunicações do governador petista Rui Costa sobre a ação de policiais da Rondesp que resultou no extermínio de 12 jovens na madrugada de 6 de fevereiro. Todos pobres, pretos, favelados. Pelo que estou informado, mais coisas feias serão em breve reveladas.

Quase todo dia na Bahia o Estado petista executa com o gatilho da Rondesp

Quase todo dia gente chora na Bahia com o Estado petista que executa com o gatilho da Rondesp, mais do que antes fazia o GEP da ditadura militar

Até a presente data Rui Costa não mobilizou, como fez anteriormente, sua máquina de propaganda – que inclui dezenas de jornalistas submissos e “acadêmicos” chapa-branca – para vir a público ao menos reconhecer seu erro.

A sociedade civil exige do governador desculpas aos familiares das vitimas. Deve ainda cobrar que o Estado as indenize materialmente, já que seus mortos não ressuscitarão. Se a sociedade não, este cidadão que aqui escreve, como pessoa física e contribuinte, o exige.

RODRIGO MENESES que, sem o saber, tem sido a pessoa mais citada em processo na Justiça Federal (informo mais abaixo), fez o que deveria ser a lição de casa de todo aquele (ou aquela) que abraça a nobre profissão de Jornalista.

Ele duvidou da versão oficial martelada pelo indigno governador do Estado, seu secretário de Segurança Pública e todos os policiais como justificativa, se justificativa houvesse, da chacina.

Possíveis eleitores petistas choram perante mais uma chacina da polícia que mata

Possíveis eleitores petistas choram perante mais uma chacina da polícia que mata na Bahia, como “um artilheiro diante do gol”, na analogia de Rui Costa

Rodrigo Meneses investigou e conseguiu, com exclusividade – depois repercutida em veículos nacionais, como a Folha de S. Paulo – a preciosa informação que desmontou a farsa encampada pelo governador em discurso de exaltação aos exterminadores.

Dos 12 jovens assassinados pela polícia, cujo comandante maior é o Governador do Estado, 9 não tinham qualquer registro (passagem) no banco de dados policiais. E os que tinham era por infrações menores, do tipo brigas de ruas durante o Carnaval do ano passado.

PABLO REIS e equipe, no mesmo diapasão, gastaram sola de sapato e foram lá dentro da Vila Moisés, periferia hoje amedrontada, ouvir a avó (e ao mesmo tempo mãe) de um dos garotos de 17 anos assassinado. O título deste post reproduz trecho da entrevista dela, que deve ser lida (e vista) acessando o blog de Pablo.

Meneses e Reis simplesmente – aí está o diferencial que distingue o Jornalista do assessor ou copiador de declarações alheias – emularam com seu trabalho um dos paradigmas ressaltados por Rui Barbosa em clássica conferência intitulada A Imprensa e o Dever da Verdade.

Se confirmada a farsa por ele referendada açodadamente, Rui Costa deveria fazer como já feito antes por governos de outras partes, a exemplo de Rio e São Paulo. Agir no sentido de reparar o dano aos familiares enlutados.

O Estado deve assumir a responsabilidade de pagar-lhes pensão calculada pelo valor e pela expectativa de vida das vítimas da truculência estatal. É assim que procede hoje, ao indenizar vítimas, reais ou imaginários, da truculência do regime militar de 1964.

Ou a diferença é que uns são da classe média branca e os jovens da periferia são pobretões negros órfãos de pai e mãe? Para dirimir dúvidas aí estão a Anistia Internacional, o Ministério Público, a Assembleia Legislativa do Estado, a  OAB. Deveriam mover ações nesse sentido, não apenas se contentar com eventos – ainda que necessários.

Será que a arrogância deste governador cederá diante da verdade que está vindo à tona?

Será que a arrogância deste governador cederá diante da verdade que está vindo à tona?

Rodrigo Meneses e Pablo Reis dão orgulho a um professor de prática jornalística que, antes de ser seu professor, os tem hoje como colegas. A reportagem de Pablo com o homem que, diante do caixão do deputado Luiz Eduardo Magalhães, gritou que levantasse a tampa pois iria trazê-lo de volta à vida, marcou um estilo no alternativo Província da Bahia.

Rodrigo Meneses, para o jornal-laboratório da Faculdade de Comunicação da UFBA, narrou a experiência de um cliente numa casa de “relax for man” para executivos, em Salvador. Reportagem que tem sido apontada na Justiça Federal como demonstração da “má-qualidade jornalística” a que o escrevinhador dessas mal-traçadas orientava seus alunos.

Ambos, como outros (e outras) a quem tive a honra de orientar – me ocorrem Aguirre Talento, hoje na Folha, Claudio Leal, hoje no mundo –  cumprem o dever que faz do jornalismo não simplesmente uma carreira.

Jornalismo é um lugar em que o sujeito deve posicionar-se neste mundo confuso, embaralhado. Sob o peso do qual tantos se curvam ou aderem. Tornam-se “assessores de comunicação”, assessores de imprensa, bobos da corte como vemos diante de câmeras de TVs e microfones de rádios, em gracinhas e subserviências com gentes temporariamente poderosas, que eles glamourizam.

Meneses e Reis, triste constatar, são exceções. Sujeitas, mesmo ainda como alunos que foram, a ser expelidas por vestais da ética e da moral teológicas, que detestam a prática do jornalismo cão-de-guarda, crítico às consequências últimas.

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