Não se deve ser cúmplice de Wagner e do PT em seu destempero

Ruy Barbosa, que deveria ser lido por jornalistas no tocante ao dever de buscar, defender e difundir a verdade

Ruy Barbosa, que deveria ser lido por jornalistas no tocante ao dever de buscar, defender e difundir a verdade

PARECE FRUTO DO DESESPERO. O governador da Bahia, Jacques Wagner (PT), dá outro passo na direção de perder qualquer resquício de reverência – que se lhe devia pela função institucional que ocupa em um dos poderes da federação, chefe do Executivo baiano.

Resta-nos alguma dignidade cidadã? Alguma inteligência e discernimento? Alguma capacidade de indignação? É imperativo reagir críticamente ao abuso de autoridade cometido pelo ocupante do Palácio de Ondina. E evitar que a sua prepotência torne-se uma norma do projeto de governo que, se não for derrotado em 5 de outubro, tende a se transmutar em arrogância.

Ícones de determinada esquerda, Stalin, tendo ao fundo Lenin: acuse o adversário do crime que é seu

Ícones de determinada esquerda, Stalin, tendo ao fundo Lenin: como tática, acuse o adversário do crime que é seu

Pago com o seu e o meu dinheiro, investido em um lugar institucional pelo qual deveria zelar a liturgia do cargo, acaba de “detonar”, nos termos utilizados por jornalistas que colheram as declarações dele, sua ex-aliada do Partido dos Trabalhadores – por informações reveladas à revista Veja.

O comportamento de Wagner não é o de um representante maior de um dos poderes locais da República. É desse lugar, com toda a força – simbólica e material -, todo o seu aparato e “bom-mocismo” da mídia que ele vitupera. Xinga. E desrespeita a própria função à qual foi alçado com o voto da maioria dos baianos.

Suas declarações, que visam transferir para a denunciante o ônus dos métodos de operacionalização do PT no governo – já comprovados ao menos na Ação Penal 470, dita mensalão, que pôs na cadeia alguns dos mais importantes estrategistas do PT -, suas declarações são dignas de qualquer coronelzinho de província. Daqueles retratados na literatura de arremedos de republiquetas sejam africanas, sejam lationoamericanas.

Presidente do STF que mandou os petistas pra a cadeia, este homem também foi vilipendiado pelo discurso de ódio da seita lulista

Presidente do STF que mandou os petistas para trás das grades, este homem também foi vilipendiado pelo discurso de ódio da seita lulista

Execrável a violência das ofensas. Dirigidas a uma pessoa no centro da contrariedade dos seus projetos. Pessoa à mercê dos ataques e da devassa como qualquer cidadão comum, ela justamente teme por sua integridade. Porque não dispõe dos mesmos instrumentos econômicos, ou de força, ou de sedução, ou de vigilância, ou de ameaça, ou de propaganda e de contra-informação às mãos do governador do Estado.

É dever de quem se opõe ao arbítrio atentar para a perversidade e a baixeza do seu discurso. Que pode se materializar em atos, ainda que sem seu consentimento, pelos bajuladores do governador, ex-ministro da República.

Há de se opor a isso. Ainda que essa oposição seja movida por interesses eleitorais, torna-se legítima e necessária. Aqui há espaço, inclusive, para os que querem derrotar nas urnas o PT de Wagner, como Paulo Souto (DEM). Que errariam se não explorassem a denúncia. Ou até mesmo não protegessem, se for mesmo o caso, a denunciante.

Instrumentos de defesa do cidadão comum – cito dois: a categoria dos intelectuais e a imprensa autônoma – não podem aceitar essa investida do governador. Sob pena de conivência. O que abre caminho para ele e seus protegidos usurparem espaços não previstos pela Constituição.

DE UM FASCISMO DESMEDIDO, se há como medir as consequência do fascismo, e, como tal, de uma periculosidade absoluta o ataque que faz Wagner àquela ex-colaboradora. É curiosa a interpretação oportunista que agora dá às interpelações do Ministério Público às quais a acusada responde. Ele comete um crime ao prejulgá-la “ladra e marginal“, já que não há nenhuma condenação transitada em julgado.

Algum jornalista que repercutiu as aleivosias de Wagner, dando chance para que pinte de vítima, ousou questioná-lo nesses termos? Cadê o seu dever, isto é, um dos seus deveres, dever da imprensa – que Ruy Barbosa teria acreditado ser a verdade?

Ou os jornalistas, aos quais os empresários, donos do veículo, emprestam o palco (jornalista é empregado e tem patrão) se acomodaram a serviço do marketing, da propaganda desse ou daquele grupo político-partidário?

Montagem satiriza relação do governador com a categoria representada por personagem de Chico Anysio

Montagem satiriza relação do governador com a categoria representada por personagem de Chico Anysio

Quando gente de Wagner, do partido dele, como esse Rui Costa que quer em seu lugar, se vê submetido a interpelações similares, por tudo e contudo arrotam provas de inocência. Mesmo condenados pela Ação Penal 470 ainda são referidos como “heróis”, por Lula e sua trupe.

Não é preciso repetir aqui o que já se sabe, pelos manuais de política. Que essa atividade é, também, o campo dos oportunistas. Dos demagogos. Dos salvadores da pátria. Da mentira, como quis Voltaire.

AFINAL, A MÁXIMA SEGUNDO A QUAL “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, atribuída a Joseph Goebbels ou a Vladimir Lenin, parece não requerer comprovação. A população baiana, por conta das eleições deste 5 de outubro, vivencia tal experiência. E a liderança no uso de tal expediente é do grupo que exerce o controle da máquina governamental.

É axiológica, elementar, a relação entre mentira e moral na qual setores da “esquerda” partidarizada constroem o seu discurso espúrio. A mentira se constitui num método, numa praxis para tais setores. Desde que – olha Maquiavel aí de novo… – os fins justifiquem os meios.

Os fins são a manutenção do poder e não a busca da verdade, aliás inatingível na esfera da disputa pelo voto da massa ignara. A cartilha do stalinismo abjeto ensina: atribua ao adversário os seus crimes. Se o crime dele for menor que o seu, tanto faz. Se ele for inocente, melhor ainda.

Uma representação de Maquiavel, autor de "O Príncipe"

Uma representação de Maquiavel, autor de “O Príncipe”

Eis um artifício comum do ladrão surpreendido no meio da rua pela multidão que grita “pega ladrão”. Ele se junta a ela e faz o mesmo – sai gritando “pega ladrão!” É o que se assemelha a fala do governador que desonra o cargo. Não há moral na política, dizia Lenin. Existe apenas conveniência.

Um canalha – considerando ser uma canalha a presidente do Instituto Brasil, que diz ter desviado dinheiro público para irrigar a carreira do candidato governista Rui Costa e outros apaniguados do PT e do PCdoB – pode ser de utilidade para  o projeto petista. Apenas por ser um canalha.

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